Por: Ir. Mairon, L.C.

"Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. Houve uma tarde e uma manha: sexto dia. Assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois tinha descansado depois de toda a sua de toda a sua obra de criação. Essa é a história do céu e da terra, quando foram criados" (Gen 1,31-2,4a).

Deus cria o homem a sua imagem e semelhança para estar em comunhão com Ele, para conhecê-lo e amá-lo nesta vida, e para viver feliz com Ele na eternidade. Diante deste verdade, podemos encontrar dois sentimentos contrastantes nos corações dos homens: abandono a Deus que é Pai, que está junto a mim e guia minha vida (Sal 130) ou dúvida e hesitação para confiar em Deus como Pai, seja pela debilidade da fé que pelo sofrimento experimentado na própria vida.

Se Deus criou tudo bem, porque existe o mal? Para os sábios e filósofos, o mal não existe; o mal é a privação de um bem devido. Se voltamos para nossa leitura sobre a origem da vida e do mundo e seguimos lendo o Gênesis, vemos que o homem vivia em harmonia consigo, com seu semelhante, com a criação e com seu Criador. No início do cap. 3 entra um novo personagem no cenário. A serpente - símbolo do demônio - engana Adão e Eva e os induz a transgredir o mandamento de Deus: "Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres certamente morrerás" (Gen 2,16-17).

Deus cria o homem para viver em comunhão com ele, para fazer uma aliança de amor com ele que é amor. Por isto Deus o cria livre para que, experimentando seu amor, pudesse livremente escolher por ele; ainda sabendo que o homem é limitado, arrisca uma resposta contrária ao amor que deu ao homem. De fato, o homem acredita nas palavras enganadoras da serpente e ofende aquele que lhe tinha dado tudo o que havia; assim entrou o mal no mundo e os descendentes de Adão experimentam suas consequências. Afirma S. Paulo que por um só homem o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte passando a todos os homens (Rom 5,12). A alegria e paz que o primeiro homem gozava transforma-se em medo, divisão interior e morte (Gen 4,8).

Deus, não abandona a criatura plasmada por suas mãos, sua imagem e semelhança. No mesmo juízo que Deus faz ao homem lhe promete a salvação (Gen 3,15). Depois, intervém de muitos modos manifestando seu amor chegando a mandar seu próprio filho para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna (At 10,43). No plano eterno de Deus, todo o mal, especialmente o mal moral foi submetido ao bem da redenção e salvação mediante a cruz e ressurreição de Cristo. Cristo confirma com a sua vida e especialmente com seus sofrimentos que Deus está ao lado do homem que sofre, que Ele tomou todos os sofrimentos dos homens sobre si dando ao mesmo sofrimento um valor redentor e salvífico; foi por suas chagas que fomos curados (Isa 53,5). Em Cristo se ilumina o enigma da dor e da morte (GS 22). A mesma dor, quando vivida junto a Cristo, pode ser um caminho de purificação pessoal e de salvação para si e para muitas almas (Isa 53,10).

É pelo amor e fidelidade de Deus que podemos cantar com o salmista: "Celebrai ao Senhor porque ele é bom, porque o seu amor é para sempre!" (Sl 118).

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