Entrevista com o Menino Jesus

por Celso da Silva, LC


Faz alguns dias tive a curiosidade de saber quais são os planos do Menino Jesus quando Ele chegar aqui na terra neste 2013. Muitos comentam a sua chegada e os padres andam pregando nas missas dominicais para nos prepararmos muito bem espiritualmente, para nos confessar e assim apresentar-lhe a nossa alma limpa e acolhedora y contemplar como Deus se faz tão humilde sendo um homem de carne e osso como nós. 

Grande foi a minha curiosidade que quis comprar um voo em promoção com o meu anjo da guarda e por sorte consegui um voo direto com uma companhia angelical excelente, sem escalas no purgatório ou nas fronteiras do inferno, que costumam ser um pouco desagradáveis e demoradas. Foi uma viagem estupenda que talvez algum dia caberá em outras páginas.

Cheguei lá no céu. Existe um lugar melhor? Estava ali caminhando por ruas lindas, sem saber o endereço de Deus, sem o numero do seu celular, sem seu facebook, sem seu e-mail, não tinha nada. Só tinha no bolso uma folhinha com algumas perguntas e um pequeno gravador desses antigos. Continuei caminhando e do outro lado vi uns muros grossos e altos como aqueles de catedrais românicas e então escutei do outro lado um coro que estava cantando: “Gloria in excelsis Deo”; eram os anjos que estavam ensaiando o seu “Glória solene” que se perpetuaria para a posteridade depois que o Salvador nascesse aqui na terra. 

Uns passos mais e já estava na frente de uma gigantesca porta dourada incrustada de pedras preciosas. Toquei a campainha e São Pedro abriu a porta, parecia muito diferente de como os pintores e escultores o representam aqui embaixo, era um pouco diferente até mesmo do que relatam os Evangelhos. Era mais amável, estava mais sorridente, não tinha nada a ver com o São Pedro rude, impetuoso, rabugento que a gente costuma imaginar. Entrei por uma porta bem pequena e me deixou ali num claustro imenso que tinha uma fonte belíssima no centro, rodeado de rosas, um ambiente bastante acolhedor.

Num cantinho vi a São Gabriel que estava compondo algumas músicas de Natal a quatro vozes. O dele era compor, já que Deus não tinha dado para ele uma voz tão boa para cantar, então estava na dele, compondo sem parar. Depois que cumprimentei São Gabriel, senti que alguém tocou o meu ombro esquerdo, dei meia volta e era Santo Atanásio. Cumprimentei claro com um grego bem básico para não passar vergonha e o santo ainda me tirou uma dúvida que tinha. Perguntei como poderia entrevistar o Menino Jesus se Ele ainda não nascia aqui embaixo. E, aliás, Ele seria capaz de responder as minhas perguntas? Eu não pensei essas coisas durante a viagem porque estava entretido olhando pela janelinha do avião e buscando na mini televisão do meu assento o filme de Jogos Vorazes 2; essas coisas só chegaram na minha mente quando Santo Atanásio estava na minha frente, por isso aproveitei. Ele me respondeu: “consubstancial ao Pai”, isto é, eu não precisava quebrar a cabeça com o Pai, depois com o Filho, o Espírito Santo, nada disso. Santo Atanásio se despediu e foi embora, e no instante me cai a ficha: “Eu o Pai somos um”, isso è Evangelho, gente! Problema resolvido: seria uma entrevista sanduiche tudo junto-carne, tomate y alface. Logo comecei a repassar as perguntas.

Passaram uns cinco minutos. De repente escutei os passos lentos de Deus aproximando-se do claustro. A luz da sua presença era tão forte que eu não pude olhá-lo cara a cara, senão me derreteria ali mesmo. Ajoelhei-me dando-lhe uma afetuosa saudação e disse que estava ali porque queria fazer algumas perguntas sobre a sua iminente viagem a terra. Sua fala era radiante de amor paterno, se sentia, e fazendo-me sentar se interessou pela entrevista e comecei com as perguntas. Anexo transcrevo a seqüência da mesma, não a gravação que fiz, porque voltando para a terra, o pessoal do aeroporto do purgatório quebrou a gravadora que eu levava dentro da mala durante a conexão, mas eu lhes garanto que a entrevista é fiel.

Repórter: Deus, saiba que será um prazer para todos nós recebê-lo dentro de poucos dias. A minha primeira pergunta é, o que estás sentindo diante de um acontecimento como vai ser a sua ida a terra?
Menino Jesus: sinto uma alegria que não posso conter. Acho que todos se alegrarão com a minha chegada, abrirão as portas das suas almas para que eu entre, serei um menino, me darão aconchego nos seus corações. Sinto que farei novas todas as coisas, embora tem gente que está pensando que eu farei coisas novas. O meu coração está quase pulando daqui de cima, estou ansioso, desejo entrar nos lares, nas famílias, nos ambientes de trabalho, de estudos, etc. Tenho certeza que vou encontrar uma excelente acolhida por parte de todos, ricos e pobres, intelectuais e pessoas simples, das crianças e dos anciãos. Eu me sinto muito feliz só em pensar no que vou encontrar.

Repórter: quais são os seus projetos e as suas expectativas para os homens de todos os povos e nações?
Menino Jesus: que amem uns aos outros. Que não se escute mais o dilacerante barulho das armas, das metralhadoras, dos tanques de guerra misturado com os gritos e o choro de pavor e de medo de inocentes e indefesos. Basta que rios de sangue que inundam as vidas e as famílias. Basta de mãos que se levantam contra o próximo para machucá-lo, feri-lo e matá-lo. Quero que na minha chegada desapareçam as fronteiras, as crises econômica, social, religiosa e moral. Ficaria muito feliz se a partir do 25 começassem a consolidar-se famílias autênticas, bem estruturadas, que abundassem o respeito, o amor, a compreensão, que existissem pai, mãe e filhos, do modo que será minha família: José, meu pai, Maria, minha mãe e eu seu filho. Desejo descer e encontrar mulheres que com a porta aberta para cometer um aborto, sejam corajosas e responsáveis para dizer sim a vida e viver assim como seres humanos que respeitam a vida desde a concepção no ventre; que os homens parem de agir, nesse sentido, como meros animais. São homens, dei-lhes uma alma para valorizar e respeitar a vida a alheia. Serei Vida onde infelizmente se busca a morte. Serei Pão tanto espiritual como material para os que passam fome. Serei Verdade para uma infinidade de homens que se deixam arrastar pela corrupção, pela mentira, que andam beliscando para cima e para baixo o engano e o pecado. Serei Caminho para aqueles meus filhos que não sabem o que fazer com as suas vidas, nem sabem para onde vão, para os ateus que vivem tropeçando sobre os seus próprios passos sem a bússola que os guie para eles quero ser a bússola para trazê-los ao Céu. Enfim, Deus no meio dos homens... O mais querem? Vocês são os que deveriam dar-me presentes e sou eu que lhes dou um grande presente: eu sou um presente para vocês, porque os amo, porque vou salvá-los.

Repórter: O que esperas dos cristãos?
Menino Jesus: os que cristãos tem que ser o que são: cristãos, meus seguidores. Sei que atravessam um deserto castigador e grande, o deserto do mundo que pactou com o consumismo, o materialismo, o relativismo, o ateísmo, o mundo cego a vida, ao amor, ao respeito pela religião, sobretudo pela que eu fundei, Eu, o próprio Deus. Que deserto repugnante! Cristãos, abram a torneira da Fe, a torneira da esperança, a torneira da caridade. Onde houver seca, abram estas três torneiras e sejam fortes, perseverem ate o fim, vocês são as minhas testemunhas. Escutem a voz do meu Vigário sobre a terra, o Papa Francisco, saibam amar e ser misericordiosos uns com os outros. Bola para frente, cristãos! Levantem o olhar que logo estarei no meio de vocês. Em vocês coloco a minha predileção.

Repórter: Menino Jesus, muito obrigado por essa maravilhosa entrevista! As suas palavras nos entusiasmam e acho que as pessoas que vão ler e meditar encontrarão nelas a alegria de suas vidas. Não estamos sozinhos, sabemos que estamos contigo. Como um repórter fidedigno, eu transmitirei tudo aos meus irmãos da terra. Outra vez, muito obrigado!

Eu me despedi de Deus e deixei aquele lugar encantador. Na viagem de volta comecei a escrever esta entrevista, depois que quebraram a minha gravadora. Espero que a mensagem do Menino Jesus chegue a todos os corações.

p1

Natal é Paz

Por Anderson Pitz, LC




Feliz Natal! Esses são os meus desejos para todos os nossos queridos leitores. Que Deus lhes abençoe sempre e derrame neste dia tão especial do seu nascimento infinitas graças e dons celestiais.

Cada ano celebramos a festa do nascimento de Jesus. Uma festa de alegria, em família, de muita confraternização. Uma festa que é ao mesmo tempo de paz. Paz significa harmonia e só há paz nas nossas vidas quando tudo está no seu justo lugar, tudo está harmonizado. Isto é o que o Menino Jesus vem trazer nas nossas vidas, a harmonia e a paz.

Harmonia é ter cada coisa no seu justo lugar, dizíamos. Quando Jesus entra nas nossas vidas ele quer colocar cada coisa no seu lugar: dar a Deus o seu posto, às criaturas o seu devido lugar. Quando tudo entra na ordem que o Criador pensou, então nas nossas vidas há paz pois tem harmonia.

Que bonito é contemplar assim a gruta de Belém. Lá reinava a paz. Maria ama a Deus sobre todas as coisas e não existe na sua vida algo mais importante que fazer o que Ele diz. São José é temeroso de Deus, fiel até mesmo às vozes divinas por meio de sonhos. Os magos, os pastorzinhos, todos transmitem a paz que os anjos anunciaram: “Glória a Deus nas alturas, e Paz na terra aos homens de boa vontade”.

p1

Símbolos do Natal

Por Rafael Kizimia, LC

Cada fim de ano nos traz uma série de sentimentos, emoções e esperanças, de modo especial com a vivência do Natal. Por isso, é muito importante conhecer alguns dos significados dos símbolos que nos ajudam a viver essa festa. 

Todas as crianças do mundo, quando chega essa época do ano, logo pensam na cartinha que devem escrever para o Papai Noel pedindo seu presente de natal. Esses dois símbolos que aparecem unidos na festa de Natal que hoje celebramos tem sua origem em duas tradições diversas. Do Bom Velhinho se conta a história sobre uma antiga tradição de um bispo chamado Nicolas. Esse bom homem vivia na Turquia e lá conheceu uma família que passava por muitas necessidades econômicas, diante disso ele tomou todo o dinheiro que possuía e deu-lhes de presente. Por isso, o Papai Noel quer representar esse espírito de caridade e amor que devemos ter ao nosso próximo, ajudando-lhes com tudo o que estiver ao nosso alcance.

A tradição de dar presentes no Natal começou com os primeiros cristãos, com isso queriam representar ao menino Jesus que no primeiro dia do ano dava presentes. Parece engraçado que seja Ele, o aniversariante da festa, quem de os presentes, mas isso contem um significado profundo, Jesus que vem ao mundo para nos dar o maior presente de todos que é a nossa salvação, ou seja, a possibilidade de viver com ele para sempre.

Ao falar dos símbolos do Natal não podemos esquecer-nos de mencionar a árvore que todos os anos enfeita os lares cristãos. A história dela nos remonta ao início do século VIII quando São Bonifácio sentiu o chamado para evangelizar os povos pagãos da Europa Central e, deixando sua abadia, foi para a Alemanha. As tribos germânicas e escandinavas professavam religiões cujos ritos celebravam em suas florestas. Pregar não foi fácil, mas São Bonifácio encontrou uma maneira de torná-lo acessível a essas pessoas se aproveitando de suas práticas religiosas. Um dia, diante de uma multidão que lhe ouvia, mandou que cortassem uma das árvores dessa floresta e plantassem um pinheiro no seu lugar. Depois, ele disse aos ouvintes que os deuses deles eram como árvores que morrem a cada ano, eram obsoletos, enquanto Cristo como o pinheiro, sempre vivia, pois era eterno.

Papai Noel, presentes e árvores de Natal, todos esses ícones que desde nossa infância encheram de alegria nosso Natal, nos trazem uma mensagem de esperança e amor de Deus. Vivamos essa festa dando um real significado aos seus símbolos, mas não só nas nossas vidas, aproveitemos para comunicá-los às pessoas que estão ao nosso redor para que cada vez vivamos melhor o Natal. 

p1

Preparar-me para o Natal

Por Edith Maria P. Fernandes


Preparar o coração para a festa do natal é despojar-nos de todo orgulho, avareza, discórdia.
Pedir a Jesus que tome nosso coração e o preencha com amor, caridade, perdão, fé, solidariedade.

Assim não será natal somente um dia mas uma celebração constante de mudança da vida.
Estar preparado é ter o coração em sintonia com o irmão.
É buscar esta união pela vivência da solidariedade, do colocar-se no lugar do irmão estendendo-lhe a mão para o ajudar, o abraço para o acalentar.
O advento é justamente este tempo de espera, de preparar a casa para Jesus, a casa que vai abrigar esse menino Rei.

Preparar para que seja recebido em grande festividade e numa manjedoura aquecida e adornada pelo amor.
Para viver a fé é preciso sustentá-la pela oração.
Pedir a luz de uma fé viva, ardente e luminosa para levar essa luz também aos que estão na escuridão e assim conhecer e amar Jesus nas pessoas, no irmão.
Pois é com o coração que cremos e com a boca que professamos essa fé, revelando o amor de Deus por cada um de nos.

Esta é a preparação para o natal.
Um coração que ama, perdoa, se doa, tudo solidificado com a fé, alimentada na oração.
Seja você o presépio onde nasce Jesus.
Saia pelos caminhos revelando este amor, este nascimento, esta verdade.

Aos que creem para fortalecer a fé e fidelidade.
Aos que esperam para renovar a esperança.
Aos que não creem para que descubram Jesus como caminho, verdade e vida.

Seja você o transmissor dessa luz, dessa felicidade e verdade do nascimento de Jesus Cristo, Nosso Senhor, Salvador e Rei.
Abrace seu irmão,
Abrace a fé.
Sorria, é natal e a luz do salvador brilha para o mundo.
Feliz natal.



p1

Virgem e Mãe

Por Celso Júlio da Silva, LC


Se começarmos a folhear a historia veremos que para Pio IX foi uma ocasião comovedora e única levantar a voz na Basílica Vaticana naquele 8 de dezembro de 1854 para proclamar um dogma belíssimo com palavras humanas, para semear nos corações dos cristãos a beleza e a força da vocação de Maria: ser Virgem e Mãe ao mesmo tempo. Antes já existia uma definição até bem convincente: “Deus quis, Deus pôde, Deus fez!”. Isso significa que a graça age e costuma quebrar a nossa lógica puramente humana, graça que nos convida a levantar o olhar para contemplar do telhado para cima a maravilha do mundo espiritual, onde Deus tudo pode.


Maria é Imaculada. Deus, quando quis hospedar-se durante nove meses no bendito ventre materno de Maria, não deixou fugir nenhum detalhe, como quando alguém muito importante vem na nossa casa e então deixamos tudo ordenado e preparamos tudo com muito carinho e detalhe. Pois Deus fez isso, criou Maria sem pecado original para que Ela fosse a casa limpa e agraciada para receber o Criador de todas as coisas e o Salvador da humanidade. Ser Imaculada para Maria significou ser Virgem e Mãe. Desejo, pois, destacar dois pontos bem simples: a pureza e a maternidade de Maria; e o seu papel na história da Igreja e do mundo depois da promulgação do dogma em 1854.



Maria é pura. Deus achou Nela a sua primeira morada, o seu primeiro sacrário. “Ave, Maria, cheia de graça”; pureza que fez com alguém no meio da multidão exclamasse ao seu filho: “feliz aquela que te deu a luz e os seios que te amamentaram!” (LC 11, 27). A pureza de Maria se manifesta nas coisas mais corriqueiras, uma pureza de alma que permite olhar o horizonte da vida pública de Jesus desde seu lugar de serviço humilde e de entrega generosa: “Filho, eles não tem mais vinho” (Jô 2, 3), pureza que percebe a falta de vinho, a falta da alegria e da fé na vida de cada ser humano. Pureza de Maria agraciada por Deus que viu tudo com os olhos da fé e foi o que permitiu que Ela agisse segundo a Sua Vontade. Quando nos vivemos assim como Maria podemos ter certeza que o nosso coração está sendo puro para agradar só e em tudo ao Senhor.

Maria é Mãe. A aventura de ser Mãe de Deus começou com um “faça-se” (LC 1, 38). No Gênesis Deus Pai criou todas as coisas também com um simples “faça-se”. Agora para salvar o homem do pecado e da morte conta com a colaboração de uma mulher simples, não para criar no seu ventre Jesus Cristo, mas para gerá-lo; e Maria, como no Gênesis, de um modo análogo, exclama: “faça-se”. O “faça-se” da boca de Deus no Gênesis foi para criar o homem, agora com Maria è um “faça-se” para salvar-nos. Só uma mulher pôde fazer isso, ser Mãe de Deus Salvador e ser também Mãe de todos nós. E quando a sua missão se consumia aos pés da cruz, onde nenhuma palavra brotou dos seus lábios, ali Cristo revelou ao mundo inteiro a Maternidade de Maria: “Mulher, eis ai o teu filho! Filho, eis ai a tua Mãe!” (Jo 19, 26-27). Somos filhos de Maria Imaculada, participamos de uma maneira filial desse amor puro e generoso que nasceu do Sagrado Coração de Jesus no patíbulo da cruz.

Finalmente o papel de Maria na Igreja e no mundo depois de 1854. Temos que recordar em especial duas aparições fundamentais: Lourdes em 1858 e Fátima em 1917, onde em ambas manifestou a sua identidade: “Eu sou a Imaculada Conceição!” Foi no contexto de um século (s.XX) marcado por duas grandes guerras, por sangue e destruição, por conflitos políticos e por interesses egoístas entre os homens, que Maria pediu muita oração e sacrifício a todos os cristãos para a salvação dos pecadores e do mundo inteiro. Não posso deixar de lado a figura emblemática do Beato João Paulo II que consagrou não só o seu pontificado, mas também o mundo todo ao Coração Imaculado de Maria: “Totus Tuus”. Sem dúvida, Maria Imaculada acompanha os passos da Igreja e dos homens constantemente porque Ela é Mãe de todos e ama sem limites todos os seus filhos nascidos do seu Coração Imaculado.

Concluo com as palavras com as que o Vigário de Cristo, Pio IX, louvou a Maria na manhã daquele 8 de dezembro de 1854 desde a Cátedra de São Pedro: "...declaramos, proclamamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha da culpa original no primeiro instante da sua concepção por singular graça y privilégio de Deus Onipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do gênero humano, está revelado por Deus y deve ser por tanto firme y constantemente crida por todos os fiéis..." (Pio IX, bula Ineffabilis Deus).

“Pela vossa Imaculada Conceição, oh Maria, purificai o nosso corpo e santificai a nossa alma!”


p1

Como preparar-me para o Natal?

por Anderson Pitz, LC



Começamos o tempo litúrgico do Advento. A Igreja, durante o ano, a semelhança das estações, prevê quatro tempos litúrgicos: Advento, Natal, Quaresma-Pasqua e Tempo Ordinário.
A palavra Advento vem do latim e significa “vinda”. O tempo do Advento é um tempo de preparação para uma vinda importante, a vinda do Filho de Deus que se revestirá da nossa natureza humana fazendo-se homem como nós.
 
Preparação externa e interna
Toda chegada importante requer uma preparação. Quando recebemos os parentes, amigos ou hóspedes importantes nós sempre preparamos bem a casa, a festa, o almoço, etc. Uma boa limpeza e organizada, uma mesa bem colocada com a melhor louça, os alimentos bem preparados, etc.
Não digamos quando se espera um filho que vai nascer. A emoção começa desde a preparação de tudo para acolher melhor aquela nova criatura que vai habitar em meio a nós: o quartinho, a roupinha, os brinquedos, tudo o necessário.
Que bonito seria se nas nossas vidas para o Natal pensássemos deste mesmo modo. Vamos receber na nossa casa, na casa do nosso coração ao mesmo Deus, nosso Pai e Criador, nosso Redentor e Senhor.
Por isso é necessário uma digna preparação. Não de qualquer jeito, não improvisada na última hora. Nem mesmo só externa. Quantas vezes a nossa preparação para o Natal se reduz a uma boa faxina geral da casa, uns enfeites e o pinheiro. Tomara que houvesse pelo menos um presépio.
 A preparação externa é sempre uma ajuda para a preparação externa. Essa é a sua principal função. Sem esse sentido, perderia a sua essência e o seu mesmo significado.
Durante os dias de Advento o mais importante é a preparação da nossa casinha interior, do nosso coração, para receber dignamente tão grande e honorário Hóspede.
Que Jesus, quando chegue ao nosso coração neste dia 25, encontre um lar quentinho, carinhoso, onde ele seja bem recebido. Um lar organizado, limpinho. Assim deve estar a nossa alma e as nossas atitudes ao recebê-lo.
 
Preparação externa
Proponho agora alguns meios externos que podem nos ajudar a melhor preparar-nos para o Natal. Serão dois, em concreto: a coroa de advento e o presépio.
Partimos de um pressuposto: estamos muito ligados à sensibilidade. O fato de ver, tocar, sentir certos elementos externos, materiais, sempre nos ajuda a dar o passo ao intelectivo, ao espiritual. Assim somos, é a nossa natureza. Somos materiais e o nosso conhecimento passa pelos sentidos.
 
COROA DO ADVENTO: uma tradição cristã muito antiga é ter em casa uma coroa de advento. Trata-se de uma coroa de folhas de pinos ou outra árvore do estilo, entrelaçadas criando uma coroa redonda.
Nesta coroa são colocadas quatro velas, três roxas e uma cor de rosa que simbolizam a cor litúrgica dos quatro domingos de Advento. A vela de cor rosa simboliza o terceiro domingo de Advento, a domenica laetare, “domingo de alegria”. É um domingo especial, de alegria, uma pausa no esforço de preparação durante este período. A cor rosa também significa a aproximação ao natal, roxo do Advento com branco do Natal dá como resultado uma cor rosada.
O significado da coroa redonda é o amor de Deus que é infinito, não tem começo nem fim.
A cor verde das folhas ou ramos é a cor da esperança. O nascimento de Cristo traz a esperança da redenção e da nova criação. Pela sua encarnação e pascoa somos regenerados.
Cada domingo se acende em família uma vela, depois de uma breve oração. Também tem um significado, a família que reza unida e se prepara unida para receber Nosso Senhor.
 
PRESÉPIO: é triste pensar que esta tradição está perdendo tanta força e continuação. Cada lar cristão deveria ter um presépio na sua casa durante o tempo de Advento e o Natal do Senhor.
Mesmo que não seja tão elaborado, mesmo que seja simples, mas que importante e significativo.
Não se rejeita, porém, o fato de prepara-lo com amor e dedicação, dado que se trata da representação mesma do mistério da encarnação do Senhor.
O fato de ter o presépio num lugar visível na nossa casa, nos ajuda cada dia recordar o mistério para o qual nos estamos preparando e esperamos com alegre expectativa.
Além, é um ótimo meio de catequização dos nossos filhos. A raiz do presépio, feito ou contemplado em família, explica-se de modo pedagógico aos filhos o significa desta representação.
É pleno de significado deixar vazio o espaço para o Menino Jesus até a meia noite do dia 24. Colocando a sua imagem depois da Missa do Galo simbolizamos a sua chegada.
 
Preparação interna
Como dizíamos antes a preparação externa seria vazia de sentido se não refletisse uma preparação interna.
São muitos os meios que podem nos ajudar para preparar o nosso interior.
 
EVANGELHO: a leitura e meditação do Evangelho, sobre tudo das partes que fazem referência direta ao mistério da encarnação, é de singular importância. Que bonito seria cada dia ou cada certo tempo, pegar um texto evangélico sobre o Natal, lê-lo e meditá-lo pessoalmente ou em família.
De modo singular as leituras que nos propões a liturgia deste período, especialmente dos domingos, que escutamos na santa missa.
 
ORAÇÃO: o encontro pessoal y comunitário com Deus é um meio indispensável para preparar o nosso coração para receber o divino Hóspede.
A oração vai transformando o nosso interior, vai dando espaço para que Deus mude e coloque as coisas em ordem conforme ele quer.
 
CONFISSÃO: para uma boa ordem é necessário uma boa faxina. A confissão é a purificação da nossa alma, a limpeza que volta a dar brilho e resplendor.
Sou bem consciente que as vezes custa, mas como bem dizia o Papa Francisco, é preferível ficar vermelho uma vez que amarelo muitas.
 
EUCARISTIA: a presença de Jesus nas nossas almas nos transforma. Quando recebemos a comunhão ocorre um milagre. Não é a comunhão que se transforma em nós mas nós que nos transformamos em Cristo.
Cristo eucaristia, como nos lembra o mesmo Papa na sua nova exortação apostólica, é remédio. Cura a nossa alma, a purifica, a transforma.
 
Aproveitemos ao máximo este período de graça do Senhor. Vivamos um autêntico Advento, uma autêntica e eficaz preparação para receber Nosso Senhor do melhor modo possível.
Marana tha”, vem Senhor Jesus.

p1

O caminho do Advento

por Raúl Felipe Lansing, L.C.



Neste domingo, 01 de dezembro, começamos mais uma vez o tempo litúrgico do Advento, em preparação ao nascimento do Menino Jesus, no dia 25 de dezembro. Mas alguém poderia perguntar-se: Advento outra vez? Não celebramos no ano passado?
Atitudes assim podem parecer-nos estranhas à primeira vista, mas são muito comuns nos nossos dias. Não vem de uma má intenção, mas do simples fato que esse momento, que deveria ser tão especial para cada cristão, passa muitas vezes desapercebido no nosso dia-a-dia. Isso muito se deve ao consumismo de nosso tempo, pois em todas as partes, televisão, supermercados, vitrines, tudo nos fala de compras, compras e mais compras. São poucos os lugares que nos mostram o verdadeiro sentido do Advento.
Mas o que posso fazer, então, para aproveitar melhor esse tempo de preparação para o Natal? Certamente existem muitos meios e modos, mas cada um deve examinar no fundo do seu coração e encontrar esse caminho que nos conduz até Belém. Um modo muito simples e de muita ajuda pode ser o de responder, no mais íntimo de cada um, à seguinte pergunta: O que eu posso oferecer de presente para o nascimento do Menino Jesus? Do nosso coração virá uma resposta, que pode servir de guia nesse caminho adventício.
Montar um pequeno presépio no inicio do advento é de muita tradição e ajuda. Cada membro da família, com um pequeno prósito cada dia, faz o seu esforço para ter a manjedoura pronta para Jesus na noite do dia 24. Cada propósito cumprido é uma palha que se coloca na manjedoura. Esse é um meio muito simples, mas nos pode ajudar muito a aporximar-nos do mistério de amor e simplicidade de Belém.
Sem dúvida Jesus não olhará somente para nossas ações, mas principalmente para o nosso coração e o nosso desejo de recebê-lo com pureza e amor. Por isso uma boa confissão sempre é de grandíssima ajuda. Lembremo-nos que Deus nunca se cansa de perdoar-nos, e o seu nascimento é prova disso.

Que este Advento não passe desapercebido em nossas vidas e, principalmente em nosssos corações. Que no dia 25 de dezembro, junto com os pastores e os reis magos, possamos dizer a Jesus: “vimos Tua estrela no oriente e viemos adorar-Te”.

p1

Cristo rei

por Anderson Pitz, LC

Celebramos uma grande solenidade. Tão importante que se trata de uma das sete petições do Pai-Nosso: “Venha a nós o Vosso reino!”Neste artigo vamos buscar entender um pouco mais o que significa esse reino de Deus: o que significa que Cristo seja rei? Como é o seu reinado? Quem pertence ao seu reino? Qual é a relação entre o Rei e seus vassalos?

Qual é o reino de Deus?O evangelho que escutaremos neste domingo na Missa (LC 23,35-43) nos dá uma resposta a esta primeira pergunta. Os príncipes dos sacerdotes, um dos ladrões e inclusive, me imagino, os soldados que crucificaram a Jesus diziam: “se tu és o Messias, salva-te a ti mesmo”.Jesus diante destas afrontas, ingratidões, inclusive tentação de não terminar a sua missão e mostrar gloriosamente a sua divindade, permanece em silêncio.O reino de Deus não é um reino temporal, não se trata de luta de poder, não é avaro como infelizmente se concebe hoje em dia o poder, o governo.O reino de Deus é um reino que não tem limites de espaço, nem de tempo porque não é um reino temporal. “O meu reino não é deste mundo” (JO 18,36) respondeu Jesus a Pilatos.

Como é o reino de Cristo? Quem pertence a este reino?Jesus é um rei diferente. Ele é soberano e senhor, criador de tudo o que existe e tudo lhe pertence. Ele é quem nos sustenta fazendo “chover sobre justos e injustos”. Tem direito sobre cada um de nós porque nascemos de Suas mãos e Ele deu a sua vida para resgatar-nos.Não obstante, Jesus governa com o cajado do amor, sentado no trono do serviço e da misericórdia, endossando a coroa da paternidade e da justiça.Assim, escutamos da sua boca uma das frases mais bonitas do evangelho: “já não vos chamo servos (...) mas amigos” (JO 15,15).Quem não deseja pertencer ao reinado de tão bondoso e magnífico senhor? O que temos que fazer é, simplesmente, ser seus amigos.Como em todo reino, os inimigos não faltam. Atacam-lhe e atacam os seus súditos. Quantos reis se apresentam nas nossas vidas querendo conquistar-nos para si e fazer que lhe sirvamos. A rainha televisão, rainha moda, rainha racionalidade fria e calculista, rei indiferença, etc.O reino de Jesus é um reino espiritual e por tanto, se estende de forma espiritual. O seu reino deve ir tomando possessão cada dia mais dos nossos corações. Ir permeando, penetrando, conquistando o meu ser.Como? Fazendo de Jesus o meu amigo, o centro, critério e modelo da minha vida.

Jesus tinha amigosNos evangelhos, temos autênticos testemunhos que Jesus era acompanhado de amigos. Por exemplo, Lázaro, Maria e Marta (cf. JO 11,5). Os seus discípulos aos quais ele disse: “vos chamo amigos” (JO 15,15) e no capítulo 13 de João ainda, Jesus declara que “ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida por seus amigos”.

A amizade, união de coraçõesO amigo é necessário para viver. É uma graça, um dom em si mesmo. Dizia santo Agostinho que o amigo é um alter ipsis, um alter ego (“outro eu”). Ele mesmo confessou que quando perdeu seu grande amigo da juventude foi como ter perdido a metade de si.A amizade é um sentimento que funde, em certo sentido, dois corações, duas almas.Jesus disse a uma mística francesa do tempo das Guerras, chamada Gabrielle Bossis: “deixai-me viver em ti. Seremos os dois um só”.

Jesus, centro da minha vidaJesus deve ser o mais importante nas nossas vidas. Não deixemos o Senhor na periferia, na superfície da nossa vida.Às vezes dizemos: “se sobra tempo, depois de fazer isso, aquilo... vou rezar, vou ir à Missa”. Então Jesus passa ao segundo, terceiro ou quem sabe qual plano, se tudo está antes de Dele, por encima Dele.E o 1º mandamento diz: “amar a Deus sobre todas as coisas”.

Jesus, critério da minha vidaUm critério é uma medida, um parâmetro de juízo. Com qual critério julgamos as diferentes situações das nossas vidas? O nosso critério deve ser Jesus, o que Ele nos ensinou com suas palavras e seus gestos no Evangelho.Os critérios de Deus são a misericórdia, o perdão, a compreensão.

Jesus, modelo da minha vidaUm modelo é um exemplo a seguir, a imitar. Jesus é o nosso modelo e o seu reino se estenderá no meu coração à medida que o imite.O que faria Jesus no meu lugar?” Que bonito seria se vivêssemos pensando assim. Seria o céu nas nossas vidas. O verdadeiro céu porque o céu é o reino de Deus e atuando como Jesus nos ensinou já estamos vivendo uma parte do reino de Deus antecipada aqui na terra.Peçamos cada dia ao Senhor ser seus melhores amigos. Que Ele cresça no nosso coração porque fazemos Dele o centro, o critério e o modelo das nossas vidas. Que o seu reino se estenda cada dia mais no meu interior.

Cristo rei nosso, venha a nós o Vosso reino!





p1

Viva Cristo Rei

Por Renan Checa, LC


Viva Cristo Rei! Esse era o grito que animava muitos homens e mulheres a dar a vida por Cristo e sua fé. Mas o que significa que Cristo é nosso Rei? Como nos dirigimos a Ele, como fazer que na minha vida também ressoe esse grito? 

Nos colocamos no início do século XX. Século onde o mundo era invadido por grandes governos de tipo ditatorial e anticlerical. Nazismo na Alemanha, Fascismo na Itália, Comunismo na Rússia, Revolução Massônica no México. Nesse contexto, sem nenhum medo, o Papa Pio XI instituiu a festa litúrgica de Cristo Rei. Queria com isso gritar ao mundo inteiro que mesmo em meio a ditaduras e provas e perseguições, Cristo continua reinando sobre todo o mundo. Cristo, Rei do Universo.

Esse é o contexto da origem da festa. Mas o que essa festa me pode dizer hoje? Como deve o católico viver essa solenidade oitenta e oito anos depois da sua instituição? Agora que vivemos num século sem perseguições religiosas tão claras como as que víamos antes, se deve também sair gritando ao mundo inteiro que Jesus é o Rei e Senhor de todo o universo?

Um rei é alguém que tem poder para governar, um exército, terras, etc. Um chefe e soberano. No Evangelho que se lê no dia de Cristo Rei, se vê a Cristo como o Rei dos judeus. E, no entando, crucificado. Como se explica isso? 

Jesus é um rei diferente. É um rei que quer reinar não com poder e majestade, mas com a humildade e amor. Esse é o poder de Cristo Rei do Universo: o amor. Essa é sua arma, seu exército. Quando os mártires davam a vida por Cristo gritando Viva Cristo Rei, estavam gritando que tinham encontrado nesse Rei um amor tão grande que por isso foram capazes de dar a vida por Ele. Amor. Se pode dizer tanto dessa palavra. Mas ao mesmo tempo se limitam tanto as palavras ao falar sobre ele. 

Portanto, hoje os católicos não somos convidados a falar do amor, a falar de Cristo Rei. Mas a experimentar esse amor, esse poder de Cristo Rei. Que essa festa nos ajude a descobrir na humildade e amor de Cristo crucificado, o poder desse Rei que me leva também hoje a gritar com todos os mártires, Viva Cristo Rei!

p1

A importância da música na Igreja

Por Anderson Pitz, LC


"Quem canta reza duas vezes". Quanta sabedoria nesta famosa frase de Santo Agostinho. A oração é importantíssima na vida cristã. Por meio da oração, o cristão entra em contato com Deus e nutre a sua alma. E cantar é rezar, é celebrar a liturgia numa atitude de adoração, de louvor a Deus de quem tudo depende.

A liturgia privilegia a palavra, atualiza a comunicação entre Deus e o homem. Por isso, a leitura pública e em voz alta das leituras e orações litúrgicas é o modo mais apto para expressar o diálogo entre a Igreja Esposa e Cristo Esposo.

Na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium do Vaticano II lemos: "na Liturgia Deus fala ao Seu povo, e Cristo continua a anunciar o Evangelho. Por seu lado, o povo responde a Deus com o canto e a oração" (nº 33). Cantar, em vez de só recitar, as leituras e orações litúrgicas reforçam sua capacidade comunicativa e até mesmo, em algumas ocasiões, o canto chega a ser uma oração em si mesma.

Funções do canto litúrgico
São várias as funções do canto e da música litúrgica. Citamos principalmente três:

- É uma expressão poética. Por meio do canto, como dissemos antes, a palavra pode chegar a ter uma força comunicativa muito maior, ganhando expressividade e beleza.

- Cria um clima festivo e comunitário. Sendo o canto uma expressão do interior do homem que toca-lhe no seu mais íntimo e profundo, contribui para liberar sentimentos escondidos e reservados e tira as pessoas do individualismo, para criar um sentido de alegria comum e uma sintonia.

- O canto tem, além, uma função ministerial e sacramental. A música sacra está em função da liturgia para ajudar a assembleia a expressar e realizar duas atitudes internas para depois, transformá-las em vida.

Características da música sagrada 
Usamos aqui o termo música sagrada referindo-nos à música usada no culto. Podemos identificar algumas características conforme estas funções antropológicas e litúrgicas.

O canto deve ser santo. Isso não quer dizer só rejeitar o que há de profano, mas assumir o caráter consagrado. Será santo o canto que se integra com a ação sagrada, usando os textos litúrgicos e expressando melodiosamente o significado destes textos.

Será bom o canto não só se conserva a perfeição técnica da música, mas quando consegue significar a realidade boa e perfeita do culto. Pelo canto conhecemos e experimentamos a bondade mesma de Deus.

O que a Igreja busca com a música não é só o prazer estético, mas a elevação espiritual que ajuda tanto à alma a chegar, através da ordem sensível, à ordem da graça. Por isso a Igreja estima tanto o canto gregoriano e o canto polifônico clássico, que criam um clima propício à oração.

Por todos estes motivos é importante sempre que o canto seja idôneo para a liturgia e, como os objetos litúrgicos, sirva o esplendor do culto com dignidade e beleza.

Uso dos instrumentos
Durante os primeiros séculos da Igreja, diferentemente dos judeus e pagãos, não usou instrumentos musicais no seu culto. O motivo talvez fosse à prudência pelas fortes perseguições ou pela associação ao profano e sensual, dado que os romanos usavam o órgão no teatro e no circo.

Com as invasões bárbaras ao Império Romano o órgão caiu em desuso. Em 757 o imperador bizantino Constantino V doou um órgão ao rei franco Pipino (pai de Carlos Magno), quem não hesitou em coloca-lo em uma Igreja.

Desde então o uso do órgão começou a difundir-se e a Igreja privilegiou seu uso como instrumento mais idôneo para a celebração. Mesmo que se privilegie este instrumento, não se excluem os demais. É preferível, porém, que acompanhem sempre os cantos e não seja só música instrumental. Compete à Conferência Episcopal aprovar os instrumentos aptos para a liturgia.

Conclusão
Santa Cecília é considerada a padroeira da música porque, conforme a ata dos mártires, enquanto caminhava ao seu martírio entoava cantos no seu interior. Que assim também seja a nossa vida, um continuo entoar louvores a Deus no nosso interior adorando-o e rendendo-lhe graças. Concluo com a frase do cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns que assim definiu a arte musical: "A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade".

p1