História do Corpus Christi

Para conhecer um pouco mais a história do Corpus Christi viajamos até a cidade de Bolsena e Orvieta, lugares onde ocorreu um milagre eucarístico bem especial e onde o Papa Urbano fez a festa do Corpus.


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Pentecostes

Por Ricardo Pioner, LC


A palavra Pentecostes (πεντε + ημερα) é de origem grega e significa “dia qüinquagésimo”. Cinquenta dias depois da Páscoa os judeus celebravam a festa das cinco semanas (Cf. Ex 34,22), no inicio era uma festa agrícola, mas depois passou a ser um memorial da Aliança no Sinai.

Os cinquenta dias de páscoa e as festas da Ascensão e de Pentecostes não são festas separadas. Elas formam uma unidade e são partes de um único mistério. Pentecostes é uma festa pascoal, é a festa do Espírito Santo. A Igreja nasce na Ressurreição de Cristo, mas é confirmada com a vinda do Espírito Santo (Cf. At 2). É neste dia que os apóstolos compreendem de modo mais preciso porque foram chamados por Cristo e qual a missão que devem cumprir de agora em diante.

Pentecostes é como um aniversário da Igreja. Neste dia o Espírito Santo desce sobre a comunidade nascente e temerosa infundindo sobre ela os seus sete dons e dando-lhe forças para poder anunciar a Boa Nova do Evangelho.


No Evangelho vemos como o Espírito Santo preparou, ungiu e enviou a Cristo. No dia de Pentecostes fez o mesmo com os apóstolos e a primeira comunidade reunida no cenáculo ao redor de Maria. Não esqueçamos que nós somos uma continuação daquela primeira comunidade. Neste domingo 08 de junho, festa de Pentecostes, o Espírito Santo também quer descer sobre cada um de nós. Ele quer preparar-nos, ungir-nos e enviar-nos.  Mas para que isso aconteça temos que desejar a sua vinda: “Vem, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”. 

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Papa Francisco na Terra Santa: encontro, paz e diálogo

Por Celso Júlio da Silva LC


O papa Francisco surpreendeu o mundo com a sua maravilhosa peregrinação à Terra Santa. O momento forte da visita foi, sem dúvida, aquele abraço fraterno entre Francisco e Bartolomeu I depois de cinqüenta anos do ultimo abraço fraterno entre Paulo VI e Atenágoras em 1964.
Porém, a peregrinação do papa Francisco foi além do que estava previsto. Com gestos impregnados de sentido, com palavras claras, simples e diretas, com o sorriso natural que o caracteriza, Francisco soube se encontrar e dialogar com o mundo da política e das religiões, respeitando e pedindo respeito. Assim, ele, em primeira pessoa, impulsionou as exigências da Nova Evangelização na dimensão social contidas na sua Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”.
Os passos firmes do papa Francisco na Terra onde Jesus Cristo caminhou demonstram três características importantes do Santo Padre: è o Papa do encontro, o Papa da paz e o Papa do diálogo.

1. O Papa do encontro:

Francisco foi à Terra Santa como peregrino para se encontrar com a realidade daquela terra na que três religiões monoteístas procuram uma convivência harmônica e pacífica. Saindo ao encontro de cada homem, apertando a mão tanto dos ricos como dos mais pobres e sofridos, lembrou-nos de que somos peregrinos nesta terra e que- isso è importante- peregrinamos juntos. Desde antes não quis um papa móvel blindado e fechado, mas aberto, para estar no meio do povo, quis ser uma vez mais Pastor da Igreja de Jesus Cristo, só que “com cheiro de ovelha”.
Francisco está sendo o Papa do encontro que abraça os sofrimentos e as alegrias, os sonhos e as esperanças de toda a humanidade, abraça a vida real das pessoas, fazendo-se próximo e especialmente um verdadeiro amigo. È o Papa do encontro porque è um Papa Amigo. Jamais esqueceremos as imagens dos gestos mais belos de Francisco, são os melhores gestos porque saem espontâneos (comentou Francisco à prensa no vôo de volta a Roma). Quando rezou diante do muro que separa Israel e Palestina, orou ali com o sofrimento daquele povo escolhido por Deus. Também escutou e compartilhou a vida e a dor de todos os refugiados e incapacitados, sobretudo das crianças.
Não esqueceremos aquele abraço tão significativo diante do muro das lamentações, abraço entre cristãos, judeus e muçulmanos, um gesto que nos diz claramente que não existe nada que impeça o respeito e a estima entre três religiões que adoram ao mesmo Deus criador do céu e da terra. Uma vez mais, a cultura do encontro cultivada com humildade, alegria, solidariedade pelo papa Francisco em pessoa è um convite estimulante para quebrar a cultura do individualismo e do egoísmo que predomina na nossa época e na nossa sociedade, mostrando que a Nova Evangelização por parte da Igreja consiste na Igreja em saída, com coragem e com um novo e impulsionado dinamismo.

2. O Papa da paz:
As palavras do Evangelho estão profundamente enraizadas no coração de Francisco: “bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9). A paz é um trabalho artesanal, se constrói dia-a-dia. Hoje quantas indústrias de guerra e de armas surgem no nosso mundo, porém “não existem indústrias de paz” - aclarou o Pontífice-depende de cada um desde o mais profundo do coração, “vencer o mal com o bem”. A paz é uma arte que “não consiste no silêncio das armas, no conter para não chegar à guerra”. É difícil e triste ter que carregar uma arma para se defender e matar, mas é mais difícil ainda abrir o coração e suplicar com humildade a tão desejada paz que este mundo necessita. Por isso, o papa Francisco è um corajoso, promotor incansável da paz.
O grito ensurdecedor da dor e do sofrimento que ecoa pelo mundo desde aquelas terras chegou ao coração do Papa e aos dirigentes tanto de Israel como de Palestina dirigiu um convite de paz: “desde o mais profundo do meu coração... desejo dizer que, pelo bem de todos, já è hora de colocar fim a esta situação, que se torna cada vez mais inaceitável... Chegou o momento de todos terem a audácia da generosidade e da criatividade á serviço do bem, do valor da paz, que se apóia no reconhecimento, da parte de todos, do direito de dois Estados de existir e de desfrutar da paz e da segurança dentro de uns confins reconhecidos internacionalmente” (Discurso as autoridades Palestinas, 25 de maio de 2014). Também em Tel Aviv, Israel, suplicou: “desejo fazer um convite ao senhor presidente da Palestina Mahmoud Amas para rezar pela paz. Ofereço a minha casa no Vaticano para acolher este encontro de oração... Construir a paz è difícil, porém viver sem paz è um tormento” (Discurso na cerimônia de boas vindas em Tel Aviv, Israel, 25 de maio de 2014).
No referente a uma convivência pacifica e respeitosa entre judeus, cristãos e muçulmanos o Papa não hesitou em dizer que “se deve rejeitar firmemente tudo o que se opõe ao objetivo da paz e de uma convivência respeitosa entre judeus, cristãos e muçulmanos: o recurso à violência ou as manifestações de intolerância contra pessoas ou lugares de culto judeus, cristãos e muçulmanos”-e concluiu-“paz a Israel e a todo o Oriente Médio. Shalom!” (Discurso ao presidente Shimon Peres, 26 de maio de 2014). Nesse levar com o coração um ardente desejo de paz Francisco colocou em prática o que ele mesmo escreveu na “Evangelii gaudium”: “a tal finalidade è necessário confiar o coração ao companheiro de caminho sem suspeitas, sem desconfianças, e, sobretudo, olhar aquilo que todos buscamos: a paz no rosto do único Deus”.

3. O Papa do diálogo:

Num mundo cada vez mais individualista e fechado as próprias idéias e convicções pessoais, o papa Francisco mostrou que è possível realizar um diálogo amigável e respeitoso, apesar das diferenças de idéias, de crenças, de pontos de vista e de tradição religiosa. Não sentiu nenhum temor de se aproximar e dialogar como um amigo e como um irmão tanto de judeus como dos muçulmanos e soube valorizar e respeitar a riqueza de ambos. “A verdadeira abertura implica manter-se firmes nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e gozosa, mas abertos “para compreender as convicções do outro” e “sabendo que o diálogo pode enriquecer a todos”. Não adianta uma abertura diplomática, que diz sim a tudo para evitar os problemas, porque seria uma maneira de enganar o outro...” (Evang. Gaudium).
Nesse caso, de enorme relevo foi a visita do Papa à Explanada das Mesquitas e justas foram as suas palavras conclusivas dirigidas à comunidade muçulmana: “queridos amigos, desde este lugar santo lanço um veemente chamamento a todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão. Respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs. Aprendamos a compreender a dor do outro. Que ninguém instrumentalize o nome de Deus para a violência. Trabalhemos juntos pela justiça e pela paz. Salam!” (Discurso ao Grande Mufti de Jerusalém na Explanada das Mesquitas, 26 de maio de 2014).

O Espírito Santo, no fundo dessa tentativa de diálogo e de abertura, continua soprando onde Ele quer e o papa Francisco, guiado por esse Espírito, está sabendo descobrir essa maravilha, dialogando com diversas realidades, fazendo com o próprio testemunho uma Igreja em pleno Pentecostes, sempre em saída, em missão, reconhecendo que a paz e o respeito, especialmente na convivência inter-religiosa, è possível, se também de ambos os lados prosperam o respeito, a escuta e a firmeza na verdadeira e sólida convicção religiosa.

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Maria: poetisa, presente e presença

por Celso da Silva, LC



     1.       Mãe: POETISA DO AMOR:
O mês de maio se desdobra uma vez mais como um tapete real por onde Maria, a nossa mãe do céu, passa para entrar na nossa vida de filhos, porque todos somos filhos. É o mês das mães que, contemplando o modelo admirável de Maria, se tornam dia-a-dia grandiosas poetisas do Amor. Toda mãe se sente no fundo uma grande poetisa, porque para ela cada filho é o poema mais belo que Deus permite que ela escreva. Como a Virgem Maria, toda mãe descansa em seu filho, esse seu poema de amor mais bonito, todas as fibras da sua existência e todos os batimentos do seu coração.
Festejamos todas as mães que veem nos seus filhos ao longo do caminho da vida, esses filhos talvez já crescidos ou distantes, a melhor poesia que saiu das suas entranhas e do seu coração materno. Para todas essas corajosas e generosas mulheres a Santíssima Virgem Maria diz: nunca deixem de amar, nunca tirem férias no amor para com os seus filhos, pois detrás deles se escondem essas maravilhosas poetisas do Amor de Deus, que são vocês, poetisas do “sim” como Maria, essa são vocês, queridas mães!
 Lembrando com carinho as mães, não podemos esquecer também aquelas mães que já perderam os seus filhos e nessas linhas recordo com pesar algo familiar: uma prima minha de 20 anos que perdeu o seu bebezinho recém-nascido de sete meses no começo deste mês. Era o seu primeiro filho, a sua primeira poesia e Deus, nos seus desígnios, quis levá-lo... Para uma jovem mãe não é fácil enfrentar tudo isso, porém aqui me vem à mente essa típica sabedoria de mãe, da minha mãe que sempre diz: os filhos são as nossas melhores poesias que escrevemos não para nós, mas para Deus e para os outros. Criamos e educamos os nossos filhos, sabendo que, no fundo, eles não nos pertencem totalmente, são de Deus. Nós somente cooperamos com amor e com a nossa entrega para que eles cresçam e sejam felizes”. Bela sabedoria de mãe!

2.       Para os filhos mãe se traduz em PRESENTE.
Maria nos guia no caminho, porque ela é a Mãe de todos. Sabemos que uma mãe de verdade é um presente de Deus. Ao pé da cruz, no silêncio da dor, Jesus nos deu um maravilhoso presente: Maria. Jesus, sem dúvida, cresceu junto a Maria vendo naqueles olhos puros e alegres o maior presente que Deus Pai pôde oferecer ao seu Filho Unigênito que se tornou homem. Alguém no meio do povo disse a Jesus: “feliz aquela que te deu à luz e os seios que te amamentaram”; isso quer dizer que Maria foi um belo presente na vida terrena de Jesus, tanto que Ele sempre encontrou nela essa docilidade para escutar a sua voz e realizar a sua vontade. Hoje todas as mães que encontram em Maria o sentido profundo de ser um presente para os seus filhos, poderão perceber também que eles se sentem amados porque ao mesmo tempo se sentem um presente para as suas mães. Que bonita è a cena da Paixao de Mel Gipson, na que Maria se dirige a Jesus dizendo: “carne da minha carne, sangue do meu sangue”. Mae è um presente que nao acaba que nunca perde o seu valor sagrado, pelo contrario, um presente que cresce e frutifica nos filhos.

3.       Mãe também é de modo especial PRESENCA.
Que tristeza quando uma mãe dá tudo para os seus filhos, e me refiro a coisas materiais, um bom colégio, uma boa vida, digna, porém não se entrega com a sua constante presença aos seus filhos, não está presente em todos os momentos, nos felizes e nos difíceis, não dá carinho e atenção, também correção se precisar (um puxão de orelha também faz bem)... Mãe que nunca está presente corre o risco de se tornar uma má poetisa e seus filhos acabam percebendo. Maria é um excelente exemplo para que as mães achem inspiração para a vocação à qual foram chamadas. No instante da Encarnação Ela disse: “Aqui está a escrava do Senhor...”, isto é, estou presente. Quando perdeu Jesus em Jerusalém e passou junto com José buscando durante três dias, vemos a Mãe que se preocupa, que com o seu gesto de ir detrás de Jesus está dizendo: estou presente. Nas Bodas de Canà estava presente. Diante da cruz também estava presente, silenciosa, chorando na sua oração. Depois vemos Maria no Cenáculo com os apóstolos, os seus filhos, e assim até hoje Maria é a mulher da presença, Mãe que jamais se ausenta. Todas as mães neste mês perguntem-se de verdade: sou uma mãe de presença constante na vida dos meus filhos?
Desejo que estas reflexões ajudem a todas as mães a tomar consciência da sublime vocação que eles têm em mãos. Seguindo as pegadas da Mãe de Jesus, sejam poetisas do Amor, nunca se esqueçam de que são um presente fecundo para os seus filhos e que são também presença que diz mais do que mil palavras.


A todas as mães que me leem meus parabéns! Sejam poetisas, presentes e presenças para sempre!

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Paradoxos do mistério pasqual

por Alice Bresolin


A recente celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo oferece a oportunidade de refletir, de modo mais vivencial, sobre o mistério da vida e da morte, da alegria e do sofrimento.

Por um lado, o Cristo Crucificado traz à memória os momentos e as situações de dor que todo ser humano enfrenta de alguma maneira. Corre-se o risco de assumir uma postura de rebeldia contra o sofrimento que toca à nossa porta: Por que as coisas não poderiam ser diferentes? Como apagar aquilo que nos fere, nos divide ou mesmo estraçalha o coração? Por que eu? Por que assim?

Em poucas palavras, fazemos eco ao mau ladrão: Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também! (cfr. Lc 23, 39) No entanto, para desconcerto geral, Jesus não desceu da cruz e, muitas vezes, não nos tira da nossa, mesmo que tenha poder de fazê-lo.

Por outro lado, o Cristo Ressuscitado é capaz de transmitir uma alegria contagiante e indescritível. Se antes Ele devolveu a vida a alguns – Lázaro, a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim – agora Ele oferece a possibilidade de vida nova para todos (e vida em abundância!). Talvez nunca sejamos capazes de agradecer suficientemente por tudo que recebemos de Deus, inclusive pelas graças que nem percebemos.

Como é possível, então, conciliar este agridoce de morte e vida, sofrimentos e alegrias?

A resposta se encontra no próprio Cristo.

Jesus Ressuscitado não sofre de amnésia: tem ainda em seu corpo as marcas dos pregos. Mas a sua presença é uma prova contundente de que a “a morte, a cruz e o sofrimento não têm mais a última palavra”. Ele é capaz de redimensionar e dar um sentido a todo padecer humano. Sem apagar o passado, Ele o transforma, à luz do Seu amor e da Sua misericórdia.

Por isso, o cristão não pode ficar estacionado na Sexta-Feira Santa. Ele fez o caminho à nossa frente para depois nos acompanhar em nossos sofrimentos e nos assegurar com sua presença amiga: “Não se preocupe, eu faço novas todas as coisas” (cfr. Ap 21,5).


Que a fé e a experiência da ressurreição do Senhor alimentem em nós a alegria, pela certeza de que a Sua vitória é também a nossa.

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O rito da confirmação




Curso online: "Teologia dos sacramentos" (Link ao curso completo)

MÓDULO 3: A Confirmação
Tema  4: O rito da confirmação (ver o vídeo)


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O significado da unção




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MÓDULO 3: A Confirmação
Tema  3: O significado da unção (ver o vídeo)




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O amanhecer de Deus

por Celso da Silva, LC



“Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui. Ressuscitou!”(Lc 24,5). Começamos a viver um tempo repleto de graças, um tempo maravilhoso que se abre com o amanhecer de Deus que sai das trevas da morte para presentear-nos a Vida. A força daquele que “nos amou até o extremo” (Jo 13, 1) conseguiu vencer a pedra que tapava o sepulcro, aquela pedra que não foi o suficiente forte para impedir que a Vida saísse ao encontro da nossa vida e que a Luz afastasse as nossas trevas.
 
Cristo ressuscitou, aleluia! Estamos alegres porque a nossa Fe não é um conto bonito, uma lenda antiga, uma bela historia que chegou até nós de boca em boca talvez com uma versão aumentada e inverossímil. A nossa alegria é esta: Jesus Cristo está vivo, é Luz Ressuscitadora que vem para dar sentido à nossa vida muitas vezes ofuscada pela escuridão.
 
Na audiência da quarta-feira da semana santa que passou o papa Francisco disse uma coisa bem interessante; que quando a noite se torna profundamente mais escura significa que logo chegará a aurora, que o sol não demorará em raiar. A nossa vida cristã é assim, com noites frias e escuras nas quais se esconde a certeza da Fe de que Cristo ressurgirá sempre e para sempre. “Na nossa vida como na vida de Jesus, a Ressurreição tem que chegar, a alegria da Páscoa tem que amanhecer”(Madre Teresa de CalcutáVem, se a minha luz, Ed. Planeta Testimonio, pag.364, Versão espanhola).
 
No primeiro dia da semana as mulheres se dirigem de manhã bem cedo ao sepulcro e depois dois apóstolos também insistem em buscar entre os mortos a Vida Verdadeira, Pedro e João (Jo 20, 1-2). Roubaram o corpo? Onde o colocaram?Começam as dúvidas e os corações oscilam entre o mar de perguntas e o mar da Fe. A partir do domingo do amanhecer de Deus começaremos a contemplar as diversas atitudes do coração humano diante do despontar da Vida e da Luz.
 
Maria Madalena que vê no Senhor Ressuscitado um simples jardineiro. Tomé que enquanto não colocar a Mão nas feridas não vai acreditar. Os judeus que inventam a pior das mentiras, dizendo que os apóstolos roubaram o corpo de Jesus enquanto os guardas dormiam (se dormiam, como sabem que foram os discípulos de Jesus que roubaram o corpo?); é a mentira humana que tenta calar até hoje a Verdade, e assim veremos que Deus brilhará de modo diverso no coração de cada personagem.
 
Nós também estamos dentro desse amanhecer e com a Fe devemos nos perguntar: a Luz do Senhor Ressuscitado já dissipou as minhas trevas? Estou aberto para que Cristo seja a minha Luz? Tenho cara de ressuscitado?
 
Desejo a todos uma Santa e Feliz Páscoa!

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Deus, meu redentor. Reflexões para a noite da sexta-feira santa e para o sábado santo

por Celso da Silva, LC




Morreu somente por mim
Deus dormiu. Certa vez Ele estava no meu barco e eu o acordei. Agora já não posso acordá-lo. Não consigo acordá-lo por mais que eu insista. Ele quis que eu não dormisse no Horto das Oliveiras e agora dorme por minha culpa e minha indiferença. “Senhor, onde moras?”-“Vinde e vede!”. Meu Deus! Procurando a tua morada acabei te levando para a solidão da minha: um sepulcro escuro e sem vida.
A tua mãe te busca em todas as partes, dentro e fora dela, mas não te encontra. Pois já não estás na casa do Pai como aos teus doze anos, porque Ele te deu uma árdua tarefa que eu não cumpri: a obediência. Sacrários vazios! Corações despedaçados! Não pude te descer da cruz porque fugi de medo. Vi o preço do teu seguimento e resolvi mendigar trinta moedas de prata. Vi a tua força que eu não tinha e te neguei três vezes. Que negação eterna! Por isso, choro amargamente.

Amando-me me ensinou a amar
Eu queria entender aquele teu gesto na Última Ceia de tal forma, o Bom Mestre, que não precisasses repetir a matéria tão realmente sensível na tua carne sagrada. Queria que me Tu lavasses todo o corpo naquela mesma noite e, eu, tão perdido ambicionando o Reino dos Céus, usei os meus pés, que Tu lavaste, para sair correndo dos soldados que te prendiam na noite escura e fria da traição. Quis ser o primeiro no teu gozo e o bom ladrão tomou o meu lugar tão desejado, sufocando a minha soberba com a sua profunda humildade. Quis morrer contigo por vaidade; Dimas morreu contigo porque se viu pecador.

O Salvador que se humilha
Neste instante entendo por que não te lançaste do topo do Templo naquele deserto tentador, porque o teu Reinado se consumaria no topo da cruz. Tu podias descer daquele sagrado madeiro, mas eu creio que para alcançar a salvação, a tua mão tem que vir do alto do madeiro, porque se os meus primeiros pais pecaram por levantar as suas mãos para comerem do fruto proibido, eu nesse momento levanto as minhas mãos para apalpar o teu costado, do qual saiu sangue e água, para implorar o perdão que não mereço.

Carregou sobre si os meus pecados
Misericórdia Jesus! Sentindo o tremor desta terra que criaste, percebo que te matei. Talvez um pouco desesperado e inquieto, penso em quebrar as tuas pernas, eu que escutei que vários fizeste caminhar. Restauraste o meu lado ferido, eu feri o teu. Eu pensava que não enxergava e agora não enxergo mais que as consequências do meu pecado. E não posso fazer nada, pois te vendo, não vejo a atrocidade da minha cegueira. A tua mãe repleta de amor e de carinho construiu o teu sagrado corpo durante trinta anos e eu te matei em três horas. Que horror! Que vergonha estou sentindo! Sabes quantos fios de cabelo tenho porque me cuidas e eu, porque te maltratei, posso contar todos os teus ossos. Lembra aquela mulher que lavou os teus pés e os secou com os seus cabelos? Para mim era uma louca. Quanto dinheiro desperdiçado! Pensava dessa maneira e agora te peço perdão porque preguei duramente os teus pés e na o fui capaz de enxugar o teu rosto como a Veronica. Ademais, no Sinédrio te bati.

Cristo, o único sentido do meu viver
A cabeça que não tinha onde descansar depois do cansaço do dia, sentiu os espinhos atrozes da minha ingratidão. A Samaritana não te deu agua, mas pelo menos ela reconheceu a tua divindade. Eu, ao contrario, molhei uma esponja com vinagre e te ofereci, não entendendo que tinhas sede do meu amor. Quanta ingratidão? Chamaste-me para viver contigo e então deixei as minhas redes lá na praia. Agora me chamaste para morrer e te abandonei. Será que as minhas redes valem mais do que Tu? Não. Não, Senhor. Pois já não existe quem me peça para lançar as redes, nem para ir à aguas mais profundas. E para dizer a verdade, é cansativo passar toda a noite sem pescar algo. Só que nesta noite, na o consigo conciliar o sono, porque os teus olhos não estão abertos, como os vi tantas vezes na solidão da noite conversando intimamente com o teu Pai.

Somente por hoje quero ter saudades de Deus
Ninguém vigia contigo. Não vigiei no Horto e agora os guardas que cuidam o teu corpo estão dormindo. Jesus, qual é a distancia que nos separa? Por que estamos tão longe um do outro? Tu no sepulcro e eu aqui no Cenáculo. Tu morto e eu vivo. Tu, libertado e eu, prisioneiro do medo. O que nos fez nesse instante tão longe um do outro? Vem, Jesus! Vem senta novamente comigo à mesa. Lázaro prefere a morte a viver sem Ti. A filha de Jairo crê que Tu somente estás dormindo. Bartimeo prefere continuar cego como antes que ver-te no sepulcro. Senhor, João não tem onde repousar a cabeça como na Última Ceia.

A morte não é a última palavra aos olhos de Deus, Palavra Eterna
Sei que a pedra do sepulcro não é o púlpito definitivo onde repousa agora a Palavra Eterna de Deus Pai, por isso creio na Ressurreição, creio na Luz da Luz que jamais conheceu e conhecerá o ocaso.

Vem, Senhor Jesus! Se vivo é porque vives em mim.

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Abraço do Pai

por Ricardo Pioner, LC


Todo filho agradecido quando tem oportunidade dá um abraço no seu pai. Este abraço pode significar muitas coisas: gratidão, arrependimento, petição de ajuda... Se a nível humano isso já é maravilhoso quanto mais a nível espiritual e sobrenatural! E isso se chama confissão. A confissão é um abraço com Deus Pai através de algum dos seus instrumentos aqui na terra que é a pessoa do sacerdote. Não é emocionante receber um abraço de Deus?
É incrível como o demônio pode induzir-nos a ter medo e pavor deste sacramento. O “encardido”, como gostava de chamar o Pe. Léo da TV Canção Nova, faz de tudo para que não nos confessemos porque é consciente da eficácia e do bem que este sacramento realiza na nossa alma.
Já escutei várias vezes:
— Padre, tenho vergonha de contar meus pecados! Como vou contar isso ao padre que, além disso, é um pecador como eu!
Nesta frase podemos encontrar vários erros. O primeiro é que eu não conto meus pecados ao padre, mas a Deus através do padre que é o seu instrumento aqui na terra. Isso é muito importante ter presente porque senão reduzimos à confissão que é um sacramento a uma simples seção de terapia psicológica. O segundo erro é ter medo de contar algo que Deus já sabe. Ele não vai se escandalizar pelos nossos pecados, pois Ele já os conhece. O único que Ele quer é a nossa atitude humilde e sincera. Ele que reconheçamos que somos pecadores. Em terceiro lugar, sobre o aspecto de por que contar ao padre os pecados se ele é um pecador como eu. É verdade, o padre é um pecador como eu e, portanto, ele também tem que se confessar. Mas isso não tira a nossa obrigação de ir a confessar-nos, pois temos que ir não porque o padre é “santo”, mas porque é o meio que Deus nos deu para reconciliar-nos com Ele.
Agora nos pode surgir a seguinte pergunta que é muito válida. Por que tenho que me confessar com um sacerdote? Não posso me confessar diretamente com Deus? Temos que nos confessar com um sacerdote porque, como comentei anteriormente, este é o meio que Cristo mesmo instituiu e confiou à Igreja. Este é o modo que temos para reconciliar-nos com Deus.
É importante que conheçamos a doutrina da Igreja sobre o sacramento da confissão. A confissão junto com a unção dos enfermos são os dois sacramentos de cura. Foi instituída por Cristo no dia da Pascoa quando se apareceu aos seus discípulos e lhes disse: “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados” (João 20,22­23).
Vemos que a confissão foi instituída pelo mesmo Cristo. Não é uma invenção humana, uma ideia da Igreja Católica, como muitos pensam.  O fato de esclarecer este ponto da instituição divina deste sacramento nos pode ajudar muito a ver a confissão com mais fé. Sem fé é impossível compreender a maravilha deste sacramento. Sem a fé a confissão não é mais que uma seção de terapia psicológica.No evangelho encontramos uma explicação maravilhosa da confissão: a parábola do filho pródigo (Lucas 15,1­32).  Vale a pena meditar uma e outra vez neste texto, pois é impossível que não sintamos identificados com esse filho que pede ao pai a parte da herança que lhe cabe e vai embora. Depois de gastar tudo, entra em si mesmo, reflete, e chega à conclusão que deve voltar para a casa paterna (os que preferem repassar este texto em forma de música podem ver este vídeo). 
E qual foi a atitude do pai, conforme a narração de S. Lucas?“Quando ainda estava longe o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos...”
A confissão é justo isso! Quando eu me aproximo do confessionário Deus me avista, sente compaixão de mim. Sai correndo ao meu encontro, me abraça e me cobre de beijos.
Existe algo mais maravilho que um abraço de Pai?
Estás disposto nesta quaresma a receber um abraço de Deus Pai?

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