Deus, meu redentor. Reflexões para a noite da sexta-feira santa e para o sábado santo

por Celso da Silva, LC




Morreu somente por mim
Deus dormiu. Certa vez Ele estava no meu barco e eu o acordei. Agora já não posso acordá-lo. Não consigo acordá-lo por mais que eu insista. Ele quis que eu não dormisse no Horto das Oliveiras e agora dorme por minha culpa e minha indiferença. “Senhor, onde moras?”-“Vinde e vede!”. Meu Deus! Procurando a tua morada acabei te levando para a solidão da minha: um sepulcro escuro e sem vida.
A tua mãe te busca em todas as partes, dentro e fora dela, mas não te encontra. Pois já não estás na casa do Pai como aos teus doze anos, porque Ele te deu uma árdua tarefa que eu não cumpri: a obediência. Sacrários vazios! Corações despedaçados! Não pude te descer da cruz porque fugi de medo. Vi o preço do teu seguimento e resolvi mendigar trinta moedas de prata. Vi a tua força que eu não tinha e te neguei três vezes. Que negação eterna! Por isso, choro amargamente.

Amando-me me ensinou a amar
Eu queria entender aquele teu gesto na Última Ceia de tal forma, o Bom Mestre, que não precisasses repetir a matéria tão realmente sensível na tua carne sagrada. Queria que me Tu lavasses todo o corpo naquela mesma noite e, eu, tão perdido ambicionando o Reino dos Céus, usei os meus pés, que Tu lavaste, para sair correndo dos soldados que te prendiam na noite escura e fria da traição. Quis ser o primeiro no teu gozo e o bom ladrão tomou o meu lugar tão desejado, sufocando a minha soberba com a sua profunda humildade. Quis morrer contigo por vaidade; Dimas morreu contigo porque se viu pecador.

O Salvador que se humilha
Neste instante entendo por que não te lançaste do topo do Templo naquele deserto tentador, porque o teu Reinado se consumaria no topo da cruz. Tu podias descer daquele sagrado madeiro, mas eu creio que para alcançar a salvação, a tua mão tem que vir do alto do madeiro, porque se os meus primeiros pais pecaram por levantar as suas mãos para comerem do fruto proibido, eu nesse momento levanto as minhas mãos para apalpar o teu costado, do qual saiu sangue e água, para implorar o perdão que não mereço.

Carregou sobre si os meus pecados
Misericórdia Jesus! Sentindo o tremor desta terra que criaste, percebo que te matei. Talvez um pouco desesperado e inquieto, penso em quebrar as tuas pernas, eu que escutei que vários fizeste caminhar. Restauraste o meu lado ferido, eu feri o teu. Eu pensava que não enxergava e agora não enxergo mais que as consequências do meu pecado. E não posso fazer nada, pois te vendo, não vejo a atrocidade da minha cegueira. A tua mãe repleta de amor e de carinho construiu o teu sagrado corpo durante trinta anos e eu te matei em três horas. Que horror! Que vergonha estou sentindo! Sabes quantos fios de cabelo tenho porque me cuidas e eu, porque te maltratei, posso contar todos os teus ossos. Lembra aquela mulher que lavou os teus pés e os secou com os seus cabelos? Para mim era uma louca. Quanto dinheiro desperdiçado! Pensava dessa maneira e agora te peço perdão porque preguei duramente os teus pés e na o fui capaz de enxugar o teu rosto como a Veronica. Ademais, no Sinédrio te bati.

Cristo, o único sentido do meu viver
A cabeça que não tinha onde descansar depois do cansaço do dia, sentiu os espinhos atrozes da minha ingratidão. A Samaritana não te deu agua, mas pelo menos ela reconheceu a tua divindade. Eu, ao contrario, molhei uma esponja com vinagre e te ofereci, não entendendo que tinhas sede do meu amor. Quanta ingratidão? Chamaste-me para viver contigo e então deixei as minhas redes lá na praia. Agora me chamaste para morrer e te abandonei. Será que as minhas redes valem mais do que Tu? Não. Não, Senhor. Pois já não existe quem me peça para lançar as redes, nem para ir à aguas mais profundas. E para dizer a verdade, é cansativo passar toda a noite sem pescar algo. Só que nesta noite, na o consigo conciliar o sono, porque os teus olhos não estão abertos, como os vi tantas vezes na solidão da noite conversando intimamente com o teu Pai.

Somente por hoje quero ter saudades de Deus
Ninguém vigia contigo. Não vigiei no Horto e agora os guardas que cuidam o teu corpo estão dormindo. Jesus, qual é a distancia que nos separa? Por que estamos tão longe um do outro? Tu no sepulcro e eu aqui no Cenáculo. Tu morto e eu vivo. Tu, libertado e eu, prisioneiro do medo. O que nos fez nesse instante tão longe um do outro? Vem, Jesus! Vem senta novamente comigo à mesa. Lázaro prefere a morte a viver sem Ti. A filha de Jairo crê que Tu somente estás dormindo. Bartimeo prefere continuar cego como antes que ver-te no sepulcro. Senhor, João não tem onde repousar a cabeça como na Última Ceia.

A morte não é a última palavra aos olhos de Deus, Palavra Eterna
Sei que a pedra do sepulcro não é o púlpito definitivo onde repousa agora a Palavra Eterna de Deus Pai, por isso creio na Ressurreição, creio na Luz da Luz que jamais conheceu e conhecerá o ocaso.

Vem, Senhor Jesus! Se vivo é porque vives em mim.

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Abraço do Pai

por Ricardo Pioner, LC


Todo filho agradecido quando tem oportunidade dá um abraço no seu pai. Este abraço pode significar muitas coisas: gratidão, arrependimento, petição de ajuda... Se a nível humano isso já é maravilhoso quanto mais a nível espiritual e sobrenatural! E isso se chama confissão. A confissão é um abraço com Deus Pai através de algum dos seus instrumentos aqui na terra que é a pessoa do sacerdote. Não é emocionante receber um abraço de Deus?
É incrível como o demônio pode induzir-nos a ter medo e pavor deste sacramento. O “encardido”, como gostava de chamar o Pe. Léo da TV Canção Nova, faz de tudo para que não nos confessemos porque é consciente da eficácia e do bem que este sacramento realiza na nossa alma.
Já escutei várias vezes:
— Padre, tenho vergonha de contar meus pecados! Como vou contar isso ao padre que, além disso, é um pecador como eu!
Nesta frase podemos encontrar vários erros. O primeiro é que eu não conto meus pecados ao padre, mas a Deus através do padre que é o seu instrumento aqui na terra. Isso é muito importante ter presente porque senão reduzimos à confissão que é um sacramento a uma simples seção de terapia psicológica. O segundo erro é ter medo de contar algo que Deus já sabe. Ele não vai se escandalizar pelos nossos pecados, pois Ele já os conhece. O único que Ele quer é a nossa atitude humilde e sincera. Ele que reconheçamos que somos pecadores. Em terceiro lugar, sobre o aspecto de por que contar ao padre os pecados se ele é um pecador como eu. É verdade, o padre é um pecador como eu e, portanto, ele também tem que se confessar. Mas isso não tira a nossa obrigação de ir a confessar-nos, pois temos que ir não porque o padre é “santo”, mas porque é o meio que Deus nos deu para reconciliar-nos com Ele.
Agora nos pode surgir a seguinte pergunta que é muito válida. Por que tenho que me confessar com um sacerdote? Não posso me confessar diretamente com Deus? Temos que nos confessar com um sacerdote porque, como comentei anteriormente, este é o meio que Cristo mesmo instituiu e confiou à Igreja. Este é o modo que temos para reconciliar-nos com Deus.
É importante que conheçamos a doutrina da Igreja sobre o sacramento da confissão. A confissão junto com a unção dos enfermos são os dois sacramentos de cura. Foi instituída por Cristo no dia da Pascoa quando se apareceu aos seus discípulos e lhes disse: “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados” (João 20,22­23).
Vemos que a confissão foi instituída pelo mesmo Cristo. Não é uma invenção humana, uma ideia da Igreja Católica, como muitos pensam.  O fato de esclarecer este ponto da instituição divina deste sacramento nos pode ajudar muito a ver a confissão com mais fé. Sem fé é impossível compreender a maravilha deste sacramento. Sem a fé a confissão não é mais que uma seção de terapia psicológica.No evangelho encontramos uma explicação maravilhosa da confissão: a parábola do filho pródigo (Lucas 15,1­32).  Vale a pena meditar uma e outra vez neste texto, pois é impossível que não sintamos identificados com esse filho que pede ao pai a parte da herança que lhe cabe e vai embora. Depois de gastar tudo, entra em si mesmo, reflete, e chega à conclusão que deve voltar para a casa paterna (os que preferem repassar este texto em forma de música podem ver este vídeo). 
E qual foi a atitude do pai, conforme a narração de S. Lucas?“Quando ainda estava longe o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos...”
A confissão é justo isso! Quando eu me aproximo do confessionário Deus me avista, sente compaixão de mim. Sai correndo ao meu encontro, me abraça e me cobre de beijos.
Existe algo mais maravilho que um abraço de Pai?
Estás disposto nesta quaresma a receber um abraço de Deus Pai?

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A obra do Espírito Santo nas nossas vidas




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MÓDULO 3: A Confirmação
Tema  2: A obra do Espírito Santo nas nossas vidas (ver o vídeo)
https://www.youtube.com/watch?v=n4v1c3noB64
 
A ação do Santificador na alma do cristão é uma obra maravilhosa. Indiquemos algumas das obras que opera o Espírito nas nossas vidas. Assim, compreenderemos melhor a sua ação e, por tanto, valorizaremos mais este dom que recebemos na nossa Crisma.
O Espírito prepara a vinda do Messias. Assim foi no Antigo Testamento por meio dos profetas, das manifestações e assim continua sendo nas nossas vidas. Prepara os nossos corações, as nossas mentes para acolher Jesus.
Ele modela em nós a imagem de Deus. Somos criados à imagem e semelhança de Deus mas, pelo pecado e tantas faltas, essa imagem vai se desfigurando. A obra do Espírito Santo é refazê-la e ir transformando-nos em cada vez mais parecidos e imitadores de Jesus.
Ele é o “Pedagogo”, aquele que nos ensina e nos conduz pelo caminho até a casa de Deus.
O “Santificador”, que leva o nosso coração a Deus desapegando-lhe de todas as coisas deste mundo.
O “Consolador”, quem nos sustenta nas dificuldades e nos anima nas alegrias.
Um “Advogado”, nos defende do mal e nos mostra o Paraíso.
O Espírito “Paráclito”, que em grego significa “aquele que é chamado para perto”.
Entender um pouco mais tudo o que Ele faz nas nossas vidas, a sua obra maravilhosa na alma de cada cristão, nos faz compreender melhor que infinito dom é o que recebemos neste tão especial sacramento.
 

 

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O Espírito Santo na vida de Cristo


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MÓDULO 3: A Confirmação
Tema  1: O Espírito Santo na vida de Cristo (ver o vídeo)

https://www.youtube.com/watch?v=SqH66p53sbY



Cristão é todo aquele que segue a Jesus Cristo, que o imita na sua vida. Se queremos ver como é a presença do Espírito Santo nas nossas vidas para entender melhor o grande dom do sacramento da Crisma onde recebemos o Espírito Santo como nosso Doce Hóspede da alma, temos que ver em primeiro lugar como era a relação de Jesus com o Espírito Santo.
Essa relação é importantíssima porque não podemos dizer que uma passagem concreta é o fundamento onde Cristo instituiu este sacramento. Será toda a relação de Jesus com o Espírito Santo que mostrará a existência deste sacramento.
O Espírito Santo sempre esteve presente na vida de Jesus e se manifestou nos principais momentos. Lembramos a anunciação a Maria onde o anjo disse:
“O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc 2,35).
No batismo de Jesus:
“O Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3,22).
Quando Jesus pregou na sinagoga de Nazaré afirmou o seu messianismo e citou a passagem de Isaías (12,28) dizendo:
“O Espírito Santo do Senhor está sobre mim, porque me ungiu...” (Lc 2,35).
Na crucifixão:
“Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: `Tudo está consumado´. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito” (Jo 19,30).
E na sua ressurreição diz o Ato dos Apóstolos que foi ressuscitado pelo Pai por ação do Espírito Santo.
Jesus prometeu muitas vezes o Espírito Santo àqueles que acreditarão nele. Disse que o Espírito nos guiará à verdade plena, que colocará as palavras na boca de quem pregasse o seu nome, que dará força ante as tribulações, etc.
Durante a ressurreição soprou sobre os apóstolos dizendo: “recebei o Espírito Santo” e em Pentecostes, símbolo máximo da vinda do Espírito Santo sobre todos nós, e por tanto, símbolo máximo também do sacramento da Confirmação, desceu o Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos.
Em todas estas passagens fica muito claro que o Espírito Santo realmente existe. E não só isso, Ele atua realmente nas nossas vidas.
Muitas vezes o seu papel é secundário na vida de cada um de nós. Parece pouco importante. Isso é porque o Espírito Santo não gosta de protagonismo, não gosta de aparecer, mas no fundo a sua ação é enorme.

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Rasgai os vossos corações, não as vestes

por Celso da Silva, LC



A Quaresma é um tempo litúrgico que a Igreja nos oferece para crescer no amor a Deus a ao próximo. Sabemos que a dinâmica do amor nesse tempo maravilhoso é a porta estreita que Jesus propõe a todos os cristãos: oração, jejum e esmola. Na verdade estes três aspectos que nos ajudam a viver melhor a Quaresma não significam só a porta estreita pela qual Deus nosso Senhor passou primeiro, não é a porta que se abre somente para entrarmos, mas é a porta que se abre para sairmos ao encontro do mesmo Deus através da oração e ao encontro dos irmãos com o jejum e a caridade.

O grande paradoxo divino, que São Paulo chama “a loucura da cruz” (1 Cor 1, 18), nos revela que ao entrar pela porta estreita saímos do nosso próprio mundo pessoal e interesseiro para encontrar-nos com Deus e com os demais. A pergunta agora é a seguinte: qual é a porta? Não cabe duvida que a porta central é o nosso coração contrito e humilhado que se assemelha ao coração manso e humilde de Jesus Cristo.

O coração do homem tem uma importância enorme em todo o antigo testamento e é por isso que Deus exorta o seu povo escolhido dizendo: “rasgai os vossos corações, não as vestes” (Jl 2, 13). O que significa isso? Significa abrir, escancarar essa porta para sair, para amar e assim nos converter profundamente, não só de uma maneira externa, superficial, porém conscientes de que Deus sempre vê e se deleita com um coração rasgado, contrito e repleto de arrependimento (Salmo 50/51). Esse clamor de Deus que se dirige ao coração humano é constante e de uma força irresistível em todas as páginas da história da salvação: “não fecheis os corações como em Meriba” (Salmo 94/95).

Nesta Quaresma o nosso coração rasgado deve se traduzir nessa abertura pessoal ao Amor que nos amou primeiro, a Jesus Cristo. A oração deve ser o repouso e a recreação do nosso coração que busca em todo momento o Senhor. O jejum e a esmola devem ser os canais tangíveis pelos que o amor de um coração rasgado pelo Senhor alcance tocar as necessidades e as alegrias dos nossos irmãos. Rasgar o coração muitas vezes não é fácil, é até repugnante nesse mundo cada vez mais tristemente individualista e longe do amor de Deus. Contudo é sabendo entregar-nos dia-a-dia a Deus e ao próximo que poderemos encontrar o sentido profundo da vida e especialmente da vida cristã. 

Rasgar o nosso coração é empobrecer-nos aos olhos do mundo e das suas vaidades passageiras para enriquecer os demais e amar a Deus sobre todas as coisas. O convite do papa Francisco nesta Quaresma se centraliza especialmente em Cristo que se fez pobre para enriquecer-nos com a sua pobreza (2 Cor 8,9). Cristo foi o primeiro a rasgar o seu Divino Coração por nós. Rasgou com a sua árdua oração na noite do Getsemani; rasgou abandonando-se nos braços do Pai, abstendo-se da sua própria vontade humana que pedia se fosse possível que aquele cálice amargo não fosse bebido por Ele; rasgou o seu coração morrendo e entregando-se a morte e a morte de cruz por nós (Filp 2, 8).

Entendendo assim o espírito destes quarenta dias podemos ter a certeza que a vivência da Quaresma será uma efusão de graças e de bênçãos não só para nós, para a nossa família e comunidade, mas para todo o corpo místico de Cristo que é a Igreja.

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Os efeitos do Batismo





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MÓDULO 2: O Batismo
Tema  4: Os efeitos do Batismo (ver o vídeo)

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=68ipgLzOwWY
 
 


Os efeitos do batismo são muito significativos e a mesma celebração indica muitos deles. O mergulho na água, ou no seu defeito a infusão de água, faz apelo ao simbolismo da morte e da purificação, e também da regeneração e renovação. Esses efeitos são a purificação dos pecados e a o nascimento no Espírito Santo.
São Cirilo de Jerusalém chama o batismo “tumba e seio maternal”. São imagens que iluminam muito o que este sacramento significa na vida do cristão.
Com o batismo todos os pecados são perdoados. O pecado original e os pecados pessoais cometidos até o momento se a pessoa já tem uso de razão. Porém, permanecem certas consequências temporais do pecado como os sofrimentos, a doença, a morte ou as fragilidades como as paixões, a concupiscência, etc. Santo Tomás de Aquino explicando a permanência destas consequências diz que Deus permite que seja assim para significar que o sacramento concede a entrada na vida eterna, não o viver uma vida fácil e sem defeitos na terra. Também sinala que assim, o cristão tem que lutar na sua vida para ganhar a vida eterna.
O batismo além de perdoar-nos os pecados nos faz uma “criatura nova”, um filho adotivo de Deus que tornou “participante da vida divina”, membro de Cristo e coerdeiro com ele, templo do Espírito Santo. A partir do batismo Deus vem abitar realmente na alma do cristão e a sua presença no nosso mais íntimo nos deifica, nos faz agir como Deus porque no fundo Ele está dando todas as ajudas para isto.
Este sacramento nos incorpora à Igreja, nos faz seus membros. Somos um só corpo porque todos somos filhos de Deus. Por este dom, todos nós somos congregados por um vínculo muito grande que une a todos.
Na alma do cristão batizado é impressa de forma permanente um sinal indelével da presença de Cristo. Nada pode borrar esta marca. Por isso o batismo jamais pode ser desfeito, é uma realidade que fica para sempre.

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A celebração do Batismo




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MÓDULO 2: O Batismo
Tema  3: A celebração do Batismo (ver o vídeo)

https://www.youtube.com/watch?v=C5OjLPGn-Zc&feature=player_embedded


A celebração do Batismo tem uma riqueza enorme de significado. Vamos ir explicando cada um destes elementos que nos ajudará a aprofundar no nosso conhecimento e valorizar mais este grande sacramento.
Começa-se com o sinal da cruz no limiar da porta. Este sinal tem um duplo significado: quer assinalar a marca de Cristo a quem a nova criatura vai pertencer e quer significar a redenção que receberá, que veio por meio da cruz de Jesus.
A seguir vem o anúncio da Palavra de Deus, umas leituras apropriadas da Sagrada Bíblia. Esta ilumina com a verdade revelada, o que Deus nos anunciou e como quer que vivamos, e suscita uma resposta na fé.
Dado que o batismo é libertação do pecado e do seu instigador, o Diabo, pronuncia-se o exorcismo sobre o batizando. Segue a unção com o óleo dos catecúmenos que também tem esse significado de curar as feridas. Faz-se a renúncia à Satanás e assim preparados, pode-se fazer a confissão de fé da Igreja, por meio do Creio ou das fórmulas de profissão de fé.
Então a água batismal é consagrada com uma oração de invocação ao Espírito Santo. Nesta oração o ministro pede que o fiel que será batizado nasça da água e do Espírito.
Vem então o rito essencial do batismo que é pela triple imersão ou pela triple infusão de água acompanhada da fórmula trinitária: “eu te batizo, NN., em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. De este forma, se realiza a morte ao pecado e a entrada na vida da Santíssima Trindade por meio da configuração ao mistério pascal de Cristo: paixão, morte e ressurreição.
A continuação é feita a unção com o óleo do crisma, um óleo consagrada e perfumado que significa o dom do Espírito Santo ao novo batizado. Esta unção significa uma consagração, o ungido é sacerdote, profeta e rei, incorporado à Cristo.
A veste branca simboliza que o batizado “vestiu-se de Cristo”, ressuscitou com Ele à uma vida nova, com um corpo glorioso. Mostra também o efeito do batismo na sua alma, a pureza total e imaculada.
Acende-se uma vela no círio pascal, que quer dizer que o neófito é iluminado por Cristo e que se torna agora “luz do mundo”.
Tendo sido incorporado à vida de Deus, feito seu filho, pode então dizer o Pai-Nosso. No caso dos que são batizados com mais idade, recebe-se juntamente o sacramento da crisma e a comunhão eucarística, na qual o neófito é recebido no “banquete das bodas do Cordeiro”.
Conclui-se com a bênção solene para que Deus acompanhe sempre a nova criatura nascida da água e do Espírito e abençoe todas as suas ações.

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O que significa "uma igreja para os pobres" como diz o Papa Francisco

por Anderson A. Pitz, LC



O Papa Francisco durante todo o seu primeiro ano de pontificado mais de uma vez tem chamado a atenção dizendo que quer “uma igreja pobre para os pobres”. O que significa uma Igreja pobre? O que ele quer dizer com “ir às periferias existenciais”? Como um católico entende a chamada de Cristo que diz que todos nós devemos ser pobres?
Em primeiro lugar temos que dizer que a mensagem cristã da pobreza é uma característica essencial da Igreja. Todo o evangelho chama o homem à este desprendimento dos bens deste mundo como condição para seguir Cristo: “qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33), e: “Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lc 6,20). 
Pobreza como desprendimento interno
O sentido da pobreza que ressalta o evangelista Lucas não é uma pobreza “efetiva”, ou seja,  uma condição de privar-se de possuir qualquer bem material. A opção da pobreza efetiva é um convite, um apelo e não um preceito: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!” (Mt 19,21).
Ainda mais, quer deseja ser discípulo de Jesus deve, obrigatoriamente, renunciar a todos os bens deste mundo vivendo em condição de pobreza “afetiva”, que quer dizer, de desprendimento interior de tudo riqueza mundana, seja material que imaterial como a fama, o poder, etc.
Como toda virtude, também a pobreza consiste numa atitude interior. Pode se ter optado pela pobreza ou ser pobre de fato, mas, não exercitar a virtude da pobreza. É o que acontece quando, ainda que se vive na indigência e alimentar um coração cheio de invejas pelos bens alheios, ou, pelo contrário, pode se ter renunciado à todas riquezas nutrindo sentimentos de orgulho e desprezo pelos que não são capazes de semelhante ação sublime e heroica.
Antes de tudo a vida eterna
A pobreza de espírito é uma orientação que a alma deve dar em meio à vivência do seu atuar no dia-a-dia. Consiste em direcionar o coração aos bens eternos, redimensionando a atração dos bens visíveis e transformando o desprendimento afetivo em renúncia efetiva, praticada com harmonia conforme a própria condição de vida.
Inclusive a nossa razão, iluminada pela fé, pode ajudar-nos a liberar o coração das seduções das riquezas deste mundo: a razão nos mostra como os bens maiores como o amor, a alegria e a paz não podem ser adquiridos com o dinheiro, e que, quando se morre, não é possível levar nada consigo de quanto se possui.
A legítima aspiração natural ao bem-estar material não deve nunca levar-nos a trocar os meios com os fins: se o homem vive para acumular riquezas ou para obter fama e poder, coloca como fim da sua vida aquilo que é um simples meio, caindo assim na idolatria.
O Papa Francisco diz na encíclica Lumen Fidei que a idolatria é colocar a si mesmos no centro da realidade, substituindo Deus pela multiplicidade dos próprios desejos. “A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal” (n.13).
A Igreja dos pobres
Neste sentido é que dizemos que a Igreja de Jesus é a Igreja dos pobres, daqueles que tem a Deus no centro das suas vidas, renunciando a si mesmos.
Mas a Igreja é Igreja dos pobres também no sentido que o anúncio do Evangelho é destinado primeiramente aos pobres, aos que carecem do necessário para conduzir uma vida digna. A eles é anunciada em primeiro lugar a mensagem que Deus lhes ama com predileção e vem lhes visitar a traves das obras de caridade que os discípulos de Cristo realizam no seu nome.
A periferia existencial
Além da pobreza econômica e social, o Papa Francisco lembra a indigência das assim chamadas, “periferias espirituais”, habitada por pessoas que “que vivem sem esperança e estão imersas numa profunda tristeza da qual procuram sair pensando que encontram a felicidade no álcool, na droga, no jogo de azar, no poder do dinheiro, na sexualidade sem regras... Mas acabam por se sentir ainda mais desiludidos e por vezes desencadeiam a sua raiva contra a vida com comportamentos violentos e indignos do homem” (Discurso do Papa Francisco aos participantes no Congresso Eclesial da diocese de Roma, 17 de junho de 2013).
A indigência da desesperação está unida a outra, e diferente, “existe uma pobreza espiritual que angustia o homem contemporâneo. Somos pobres de amor, sedentos de verdade e justiça, mendigos de Deus, como sempre frisou sabiamente o servo de Deus padre Luigi Giussani. Com efeito, a maior pobreza é a falta de Cristo” (Mensagem ao Meeting de Rimini, 18-24 de agosto de 2013).
Não se trata de pauperismo
O Papa Francisco chama todos os cristãos à pobreza ensinada por Cristo e dizendo que os pobres serão os primeiros destinatários do anúncio do Evangelho, e assim traça a rota da Igreja de hoje.
Esta rota que deve ser seguida sem mal entendidos: “Este ir ao encontro dos pobres não significa que devemos tornar-nos pauperistas, ou uma espécie de «mendigos espirituais»! Não, não, não significa isto! Significa que devemos caminhar em direção à carne de Jesus que sofre, mas também sofre a carne de Jesus naqueles que não o conhecem com os seus estudos, com a sua inteligência, com a sua cultura. É lá que devemos ir! Por isso, gosto de usar a expressão «ir às periferias», às periferias existenciais. Todas, da pobreza física e real à pobreza intelectual, que é também real. Todas as periferias, todas as encruzilhadas dos caminhos: ir lá. E ali lançar a semente do Evangelho, com a palavra e com o testemunho” (Discurso do Papa Francisco aos participantes no Congresso Eclesial da diocese de Roma, 17 de junho de 2013).
A distância da teologia da libertação
Com a expressão “Igreja dos pobres” não devemos entender a identificação da Igreja com uma classe social ou com um instrumento de luta de classes sociais. Não devemos confundir “Igreja dos pobres” com “Igreja de classe”.
A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação” (06 de agosto de 1984) diz: “Perverte-se deste modo o sentido cristão do pobre e o combate pelos direitos dos pobres transforma-se em combate de classes na perspectiva ideológica da luta de classes. A Igreja dos pobres significa então Igreja classista, que tomou consciência das necessidades da luta revolucionária como etapa para a libertação e que celebra esta libertação na sua liturgia” (n.10).
A pobreza ensinada por Cristo é aquela das bem-aventuranças, a que solicita a compartilhar os bens espirituais e materiais, não por constrição, mas por amor, para que a abundância de uns complete a indigência de outros.

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Os tipos de Batismo




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MÓDULO 2: O Batismo
Tema  2: Os tipos de Batismo (ver o vídeo)


A igreja desde sempre reconheceu três tipos de batismo: de água, de desejo e de sangue. Vamos explicar o que significam estes três tipos de batismo.


O batismo de água é o comum batismo que conhecemos, que a sua vez pode ser feito por imersão ou por infusão. A imersão é a forma mais antiga e conservada ainda em muitas igrejas orientais, pela qual o catecúmeno é mergulhado da água três vezes, símbolo da Santíssima Trindade, e para significar mais visivelmente essa morte e vida, onde se “desce” ao túmulo e se ressurge à vida nova. A infusão é derramar a água na cabeça do batizando três vezes acompanhado das palavras: “Eu te batizo, NN., em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.



O batismo assim chamado de sangue. A Igreja mantém a firme convicção de que as pessoas que morrem em razão da fé, os mártires, sem terem recebido o batismo porque ainda estavam em caminho de preparação, são batizadas por sua morte por e com Cristo.



O batismo de desejo é parecido ao anterior. Significa a intenção de batizar que tinha, mas foi impedido por qualquer razão e perdeu a vida. É o caso, por exemplo, dos fetos que morrem prematuramente. O desejo dos pais de batizarem se tivesse nascido é válido e a criatura é considerada batizada.

Sobre os ministros do sacramento do batismo temos que dizer quem pode batizar. Os ministros ordinários são os bispos, os sacerdotes e os diáconos. Em caso de necessidade, porém, a Igreja diz que qualquer pessoa pode batizar até mesmo um não católico. As únicas condições é que tenha a intenção de fazer o que a Igreja faz quando batiza e use a forma da Igreja, ou seja, a água e a fórmula trinitária (“eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”).

É importante manter sempre a matéria do sacramento que é a água e a fórmula. Sem tais elementos o sacramento não é válido, é como se não fosse realizado. Não valem nem mesmo sinónimos como, por exemplo, “eu te batizo em nome do Criador, do Redentor e do Santificador”. Isto não é válido porque não são as palavras do batismo como Cristo instituiu.


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Origens do Batismo



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MÓDULO 2: O Batismo
- Tema  1: Origens do Batismo (ver o vídeo)
http://www.youtube.com/watch?v=7lk8hdLY-1M
 

O Batismo é o sacramento pelo qual começamos a fazer parte da vida de Deus e entramos na Igreja. É chamado o sacramento da geração porque é por meio do batismo que nascemos à vida do espírito, como o nosso nascimento natural.

O batismo tem uma grande tradição desde tempos muito antigos. Sendo um sacramento que no dá vida tem um forte simbolismo de purificação, de morte à uma vida prévia para renascer a uma vida nova, superior.

Nas tradições bíblicas existem muitas abluções rituais para as mãos, os pés, os vestidos. Tudo isto com a finalidade de reencontrar a pureza perdida pelo contato com realidades impuras. Os livros proféticos reagirão a ritos que são só externos exortando a uma purificação sobre tudo do coração.



A água tem um grandíssimo significado em toda a Sagrada Bíblia. Mencionemos alguns deles:

· O dilúvio universal (Gên. 6): todos os males da terra foram exterminados e com Noé, depois do dilúvio, iniciou-se uma nova geração.

· O Mar Vermelho (Êx. 15): o povo de Israel foi liberado da escravidão do Egito e o passo do Mar Vermelho significou a passagem da escravidão à liberdade, da morte à vida.

· Jordão (Josué 3): o povo que peregrinava pelo deserto atravessou o rio Jordão para entrar na terra prometida. É o cumprimento da promessa de Yavhé.

· Costado de Cristo na cruz (Jo 19,34): “Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água”. O sangue é sinal da Eucaristia e a água do batismo, os sacramentos pelos quais Deus nos deu a nova vida pelos méritos da sua paixão, morte e ressurreição.

Estes são apenas alguns dos mais emblemáticos momentos da Bíblia onde podemos compreender um pouco mais a importância da água com um efeito mais além do material.



Um evento que marcou a instituição do sacramento do batismo foi o mesmo batismo de Jesus (cf. Mat. 3). Podemos tirar muitos ensinamentos deste momento importante na vida de Jesus.

· Cristo se submeteu ao batismo de João que era um batismo de penitência, sendo que ele não necessitava absolutamente. Cristo não tinha nenhum pecado e mesmo assim quis ser batizado. O motivo é mostrar a sua missão, o seu descer entre os pecadores para elevar-nos à natureza espiritual e divina.

· Jesus atravessou à outra margem para ser batizado. Este ato relembra as passagens do mar Vermelho, do rio Jordão onde o povo atravessou e foi salvado.

· Diz o texto que os céus se abriram. É o efeito contrário após o pecado original onde os céus se fecharam. Isto é o que o batismo vem fazer, abrir os céus nas nossas vidas.

· Vem uma voz do céu que diz: “Este é o meu Filho muito amado”. Trata-se de uma manifestação de Deus, a voz de Deus que consagra Jesus para a sua missão. Observe-se que não é um mandato como no Antigo Testamento: faça, seja, etc. mas um reconhecimento: é o meu Filho.

· Filho que quer dizer comprimento das antigas profecias onde se prometia a vinda do Messias.

· A unção do Espírito Santo que desce em forma de pomba e que permanecerá sempre com Cristo. Como depois do dilúvio a pomba desce paira na terra dando sinal da vida nova.

· O batismo de João era um batismo de penitência, não de perdão porque Cristo ainda não tinha morto na cruz para dar-nos a remissão. É um batismo que prepara o verdadeiro batismo, aquele instituído por Cristo, o batismo no Espírito.

· Jesus foi batizado uma só vez. No era uma ablução como qualquer outra onde se purificava, tornava-se a manchar e se purificava outra vez. O batismo concede uma purificação eterna, o perdão do pecado original. Os pecados pessoais cometidos após o batismo se perdoam com a confissão.

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