O trono de Jesus Cristo é o coração do homem

Por Celso Júlio da Silva LC

A solenidade de Cristo Rei do Universo foi instituída pelo Papa Pio XI em 1925 que, num mundo que acabava de passar pelos horrores da Grande Guerra e começava a levantar algumas bandeiras ideológicas, escreveu a sua primeira encíclica, “Quas primas”, na que proclama Jesus Cristo como Rei do universo. Com esta solenidade também pomos ponto final no ano litúrgico, lembrando-nos de que só Jesus Cristo é Rei de toda a criação e, sobretudo, dos nossos corações.

Hoje soam com vibrante eloquência, em toda a terra, aquelas palavras brônzeas no obelisco de Heliópolis, fincado no meio da Praça de são Pedro: “Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat” (Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera). E, nesse contexto, Cristo, que na sua vida terrena nunca mencionou ser Rei, hoje deseja sentar num trono: no nosso coração.

1.Cristo vence, reina e impera!

Cristo vence hoje! Cristo reina hoje! Cristo impera hoje! Não podemos dizer isso de tantos reis, imperadores e líderes políticos ao longo da história, nem de Júlio Cesar, nem de César Augusto, de Nero, de Carlo Magno, de Frederico II, de Carlos V, de Felipe II, de Hitler, de Mussolini, de Stalin, de Franco e de tantos outros dirigentes de nações. Eles já não existem mais. Hoje todas as suas glórias estão guardadas no baú do tempo que se chama gramaticalmente- “passado”- e não voltam mais.

Que pequeno é, por exemplo, aquele “veni, vidi, vinci” de Júlio Cesar depois de cruzar o Rubicão, está tudo em passado, foi e agora não é mais! Quanta vaidade foi para Luís XIV, monarca francês, pronunciar aquele “o estado sou eu!”-hoje a frase muda um pouco- “o estado foi ele”. Para eles e tantos outros bem vale aquela frase famosa que se encontra nas tumbas honoríficas barrocas- “sic transit gloria mundi” (assim passa a glória do mundo!).

Jesus não é como os poderosos desta terra. O seu poder é vigente hoje! Aquele sepulcro vazio não nos engana, mas nos fala de um Deus que, querendo atravessar conosco as vicissitudes da história, continua presente no hoje da sua Igreja, seu Corpo Místico, manifesta a sua presença nos seus santos no decorrer dos séculos, nos acompanha no sacramento da Eucaristia e nos dá a certeza de que está conosco todos os dias até o fim dos tempos. “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos morreram...e é preciso que Ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser derrotado será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés” (1 Cor 15, 25-26).

Jesus é um Rei que jamais conhecerá a força dum passado sem retorno, porque Deus na pessoa de Jesus Cristo quis abraçar de uma vez para sempre na profundidade cósmica e misteriosa da sua paixão, morte e ressurreição tempo e eternidade, passado, presente e futuro, e assim não nos deixou sozinhos, entregues ao pecado e à morte, mas nos fez partícipes do seu Reino. Nós, cristãos, com os pés bem colocados nesta terra, olhamos para a glória do Céu, onde está Aquele que foi na nossa frente, abrindo-nos o caminho que dá ao seu Palácio, onde “Ele será tudo em todos” (1 Cor 15,28).    

2.Então, Tu és Rei? Sim. O Rei do serviço e da humildade.               

Jesus é Bom Pastor, Vida, Pão, Luz, Caminho, Verdade, mas nunca disse ser Rei. Falou do seu Reino, mas nunca disse: “Eu sou Rei”. Depois de multiplicar os pães, todo mundo com o estômago agradecido quis declará-lo rei e Ele se retirou, fugindo da glória deste mundo. Duro foi aquele apelido dado a Herodes- “aquela raposa”. Quando teve que opinar sobre questões que implicavam o imperador no meio, não pensou duas vezes- “ao César o que é de César”. Jesus fugia de ser rei?

Pilatos, procurador romano, também fez algumas perguntas interessantes a Jesus. A primeira foi “quid est veritas?” (o que é a verdade?); e ele não sabia que a resposta estava misteriosamente escondida detrás da sua pergunta, pois, se usamos todas as letras da pergunta formulada em latim mudando as posições e formando outras palavras, temos a seguinte resposta “est vir qui adest!” (é o homem que está aqui presente!): a Verdade estava diante dele e não sabia! A outra foi “Tu és rei?” e Jesus começa respondendo: “o meu Reino não é deste mundo...”; mas de ser rei...nem conversa! Jesus não falou nada. Quantos Pilatos andam nas nossas ruas, estão dentro da nossa família, do nosso trabalho! São Pilatos que não reconhecem a Verdade e a Realeza de Jesus Cristo nas suas vidas.

Mas, no fundo desta atitude de Jesus, aprendemos que o verdadeiro poder, aquela pessoa que realmente tem autoridade, na verdade está chamada a uma vocação de serviço e de humildade. A mesma palavra “autoridade” significa etimologicamente “aumentar, crescer”, mas não a nossa fama, o nosso egoísmo, o nosso prestigio social, mas os que nos rodeiam, que os nossos irmãos cresçam ajudados por nós, pelo nosso testemunho que arrasta e pelo nosso apoio fraterno que os sustenta. Quem maior poder tiver, maior responsabilidade de servir e ajudar o próximo no amor e com amor terá.

Não temos dúvida de que Cristo é o nosso Rei e nesta solenidade Ele nos chama a tomar consciência disso: ter autoridade significa estar para servir, não para nos envaidecer e que os outros nos sirvam. Jesus é Rei que só aceita uma coroa, a de espinhos. Só aceita um trono, a cruz. Só aceita um manto, um trapo velho e remendado. Veio para servir e não para ser servido.            

3.Um trono: o coração do homem.

Jesus é Rei e é ao mesmo tempo o Reino. Quantas vezes rezamos “Venha a nós o vosso Reino!”, pedimos que Cristo venha e reine dentro de nós, na nossa vida, na nossa família, no nosso trabalho, nos nossos ambientes comunitários e continuamente a nossa vida cristã consiste em encontrar no meio dos problemas diários e das dificuldades que vão aparecendo o Rosto desse Rei e desse Reino que nos espera e que nos dá esperança.

Onde está o seu Reino? Está dentro do coração de quem ama e leva a Boa Nova a todos os povos. Quando damos de comer a quem tem fome, de beber a quem sede, e damos dignidade àquela pessoa que não a tem, dando-lhe uma oportunidade de trabalho, oferecendo-lhe espaço e voz na comunidade; quando acolhemos com alegria o estrangeiro, o necessitado, o pobre, o enfermo, o pecador que caiu, os encarcerados, os marginalizados... quando somos discípulos de Cristo, então o Reino vem, o Rei age neste mundo. Porque tudo isto “a mim o fizestes” (Mt 25, 40). E fazemos tudo isto porque no nosso coração está Cristo, ali Ele encontra o seu trono e dali Ele reina.

Já quando no nosso coração só tem protagonismo pessoal, ambição de poder, fama e sucesso e esquecemos que somos portadores do Reino, especialmente aos mais simples e humildes, então que triste vai ser escutar naquele último dia: “retirai-vos da minha presença, malditos. Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos!” (Mt 25, 41). E quantos por afã de protagonismo e de poder, viveram como se fossem “reis do mundo” e, em vez de viver a autoridade como serviço, sabendo que só eram “filhos do Rei”, quiseram ser servidos e não contemplaram o Rosto do Rei, manso e humilde. Caíram talvez no esquecimento do “passado” porque não quiseram vencer, reinar e imperar com Cristo, por Cristo e em Cristo servidor. Servir a Deus e o próximo é reinar! Deus não achou no coração deles espaço para fazer dele o seu trono e assim reinar.

Oração: Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, Tu que vences, reinas e imperas no hoje da vida da Igreja e na vida de cada homem, ajudai-nos a servir-vos nos irmãos com espírito de serviço e humildade, para que o vosso Reino se estabeleça concretamente em todos os âmbitos da sociedade e que todos os que exercem alguma autoridade nesta terra, possam comtemplar a vossa cruz e trilhar o caminho desinteressado do amor e da entrega, e não caiam na tentação da fama e do prestigio, mas saibam dirigir os povos ajudados pela vossa graça, com o olhar fixo em Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.      

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A Utilidade da Filosofia

Por João Paulo Alves LC

 “Filosofia serve só para discutir, criar perguntas sem encontrar respostas, e dizer que, ao final tudo, depende do ponto de vista de cada um e por isso, melhor nos dedicarmos a fazer algo que valha a pena em vez de perder o tempo com ideias inúteis.” 
Não pouco frequentemente se escutam opiniões assim, mesmo em meio a quem se declara católico, pois, segundo eles, ao final de contas o que importa mesmo é a sua fé em Cristo. O mais interessante é que os autores dessas proezas não se dão conta do fato de que, se se busca causas para explicar a inutilidade da filosofia, já estão filosofando.
Em primeiro lugar, filosofia se define como estudo de toda a realidade por suas causas últimas. Isso quer dizer que, o fato de que você seja intelectualmente capaz de ler este artigo ou até o fato de que um embrião que se forma como uma pessoa dentro do útero da sua mãe, tem a possibilidade de um estudo filosófico por detrás, pois são ambas as realidades.
A realidade constitui o mundo no qual vivemos e que, por força da experiência imediata do mesmo, não o podemos negar. Por isso sendo a filosofia o estudo das causas ultimas, a cada vez que se pergunta: “Quem sou eu?” “Porque existo?” “Qual é minha finalidade nesse mundo”- pode-se saber que, ainda que inconscientemente, se realizou um profundo percurso filosófico ao interno da mente, visto no fato de ir à raiz da existência de uma coisa ou pessoa que nos porta à busca por uma causa última.

Vê-se que essa busca não é algo que apareceu no homem somente algumas décadas atrás. Ela é parte essencial da natureza humana e constitui o desenvolvimento da filosofia especialmente em Grécia e Império Romano. Cícero, por exemplo, considerava a filosofia como a corretora de vícios e seu refúgio em meio desses, além do mais se indagava do que teria sido dele, dos homens e da sociedade, se não fosse pela influência da filosofia nas suas vidas. Sua pena consistia em perceber um desprezo entre os homens para com o reconhecimento do valor da mesma e assim lhes atribui a ignorância como causa de tal desprezo (Tusculanae Disputationes V, 2).

Algo não muito diferente se vê hoje, percebe-se um desprezo, mas mais ainda que a sociedade não pode sobreviver sem o sustento da filosofia, que se faz evidente à vida do homem. Tal evidência se percebe a cada filme que se vê durante uma tarde de sábado. Existe nesses um bombardeio de informações que expressam as ideias filosóficas do produtor. Não necessariamente toda informação transmitida é consoante com a verdade, mas ao menos é uma expressão clara de uma determinada filosofia (seja fundada nos valores pessoais de quem produz ou no estudo dos valores transcendentais ao homem). 
Suponhamos que em um filme se apresenta que o mundo não existe e tudo é apenas uma criação dos nossos pensamentos (qualquer semelhança com Matrix é uma mera coincidência), já há aqui certa filosofia, sendo feita por mais pobre que essa seja, pois para mostrar sua inautenticidade bastaria pôr-se a mão sobre o fogo e ver que meus pensamentos são capazes de fazer com que minha mão seja imune.
  “Os heróis devem matar os vilões.” “Posso ter relações sexuais na primeira noite após ter conhecido uma garota” “Tenho controle de minha vida não preciso de meus pais me seguindo a todo o momento.” Ideias como essas estão correntemente sendo presentadas à nossa mente, não somente em filmes, mas escutando a rádio, lendo um livro, ou assistindo a uma série de televisão. Mas são essas realmente verdades? Dependem da opinião de cada um sobre o tema ou há um principio objetivo em cada uma delas? Só chegaremos a essas conclusões se raciocinarmos e se buscarmos os porquês e, por isso, não podemos negar o valor de filosofar.
Nem tudo é relativo, pois afirmá-lo já faria dessa uma afirmação absoluta e, consequentemente, levaria todo o sistema, por mais bonitinho que seja, por água abaixo. Creio que melhor seria analisar o que conhecemos com a filosofia? Conhecemos a verdade. Conhecemos o porquê de nossa existência, conhecemos quem somos e aonde vamos. Conhecemos não somente a verdade, mas A Verdade, pois se existimos é porque viemos de uma Causa que nos criou, uma Causa que voluntariamente e sem modificar-se criou tudo e a quem tudo retorna uma Causa que é perfeita, ato puro, subsistente e eterna. E, conhecendo essas verdades, somos capazes de dar um passo a um nível que a mesma filosofia já não pode alcançar, mas sim nos prepara: conhecer que essa Causa nos amou e nos criou a Sua imagem e semelhança e enviou Seu Filho único por amor a Suas criaturas.
Não se pode afirmar que a filosofia seja inútil, nem menos contraria à fé, nem é coerente que algum cristão duvide de sua necessidade , pois os mesmos padres da Igreja e Escolásticos buscaram o estudo da fé por meio da filosofia e a síntese entre as duas, dando-lhes os seus respectivos papéis na busca para a verdade. A cada vez que se tenha dúvida se realmente a filosofia é valida para um cristão, deve-se lembrar de que foi a mesma Verdade quem disse: “Eu sou o caminho a Verdade e a Vida” (Mt 14,16).

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Por que a Igreja fala sobre a moral?

por Anderson A. Pitz, LC


Um dos temas mais candentes de hoje em dia é a moral, a ética. Todo ser humano pergunta se está bem ou mal o que faz. Para obter uma resposta deve ter uma medida, alguém que indique como e dentro do que se julgar.

Existe um erro muito comum: ver a moralidade como um conjunto de normas que devo cumprir. Como se fosse normas de trânsito que existem para a ordem social, a boa circulação dos usuários. E do mesmo modo, pensamos ou falamos: "não posso usar anticonceptivos porque está proibido", "as relações pré-matrimoniais não são aceitas" e assim por diante uma lista infinita.

A moralidade vai muito mais além de um conjunto de normas. Se fosse assim, seria apenas uma camisa de força, uma exigência que vem desde o exterior. A moralidade, em realidade, nasce dentro de cada ser humano. Todos nós buscamos o bem nas nossas vidas. Bem não em geral, mas em cada coisa o que fazemos: estudamos para aprender, trabalhamos para adquirir, educamos para formar pessoas do futuro. Do mesmo modo nas menores coisas de cada dia: nos alimentamos para ter forças, sorrimos para ser feliz, etc. Tudo o que fazemos é porque queremos um bem para nós.

A moralidade se converte em verdadeira moralidade quando descobrimos nela o bem enorme para nós: preservar a tua pessoa humana íntegra, o teu ser mais que o teu haver, a tua dignidade mais que a tua utilidade.

Aqui entra o papel da Igreja Católica. Ela nos lembra os valores infinitos, os bens profundos para cada um de nós que estão detrás de cada aspecto da moralidade. Muitas vezes esses bens se ofuscam aos nossos olhos pela cultura, pela deformação da nossa consciência, pelas nossas limitações. Por isso, por ter as vezes essas nuvens diante dos nossos olhos, é que não entendemos certos valores ou "normas" morais que a Igreja defende e exige.

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Aí está o desafio: descubramos os valores que a moralidade traz para cada um de nós. Descubramos como um bem, profundo e infinito. Este é o verdadeiro caminho da felicidade.

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O divórcio é uma agressão à carne de Jesus Cristo

O divórcio é uma agressão à carne de Jesus Cristo

Por Celso Júlio da Silva LC



Um dos temas do Sínodo sobre a família foi o do divórcio, triste realidade que produz a desestruturação de várias famílias. As relações atuais do Sínodo não são conclusões que devem ser tomadas como Magistério da Igreja, mas como uma visão concreta e atual das famílias do nosso tempo e a relação do empenho pastoral neste campo com as devidas aplicações doutrinais no mesmo.

Aqui somente desejo despertar as consciências de todos os que já estão casados e dos que pensam em se casar. Trata-se de uma visão profunda sobre a sacralidade matrimonial, que não se trata de “amor-fantoche” e sobre o fato de que um caso de divórcio é um pecado grave, porque não se dá só a fratura entre os cônjuges, que livremente formaram uma só carne na carne do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, mas que, com o divórcio, também agridem a carne de Jesus Cristo.

1.Uma só carne na Carne de Cristo:


Amor à primeira vista, flechaço numa manhã de primavera, sensações e sentimentos bonitos de um instante... Isto é matrimônio? Claro que não! Isto pode ajudar os noivos a tomarem uma decisão séria para o resto das suas vidas. Porém, quantos namorados pensam assim? Tem uns que pensam que casar é mero protocolo civil e, para não escandalizar ninguém, é bom dar uma passadinha no altar paroquial, senão... Contudo, matrimônio é sacramento, onde o amor humano entre um homem e uma mulher encontra plenitude e fecundidade no seio da Igreja, Corpo Místico de Cristo, e portanto, amor que se realiza e se fecunda na Carne de Jesus Cristo, de cujo Corpo, que é a Igreja, Ele é a Cabeça.   

O amor matrimonial é uma entrega total ao outro, “de tal maneira que não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6). E o desejo de Deus é que os cônjuges sejam conscientes de que Ele é o primeiro interessado na fecundidade dessa união e que não se quebre jamais, porque “o que Deus uniu o homem não separe” (Mc 10, 9). Casar-se na Igreja Católica quer dizer estar insertado na graça divina, participar do plano amoroso a partir da união sacramental com a carne mesma de Cristo.

É maravilhoso reconhecer que um casal só fecunda no amor e na união quando olham ambos a mesma Pessoa: Jesus Cristo e Nele aprendem a ser esposo e esposa que se entregam um ao outro. Nisto captamos a riqueza do que diz são Paulo aos Efésios: “Maridos, amem as suas mulheres como Cristo amou a sua Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25). Realmente muitas separações não aconteceriam se tudo isto fosse o farol dos casais no meio das trevas pelas quais às vezes atravessam.

2.Uma só carne que não é “amor-fantoche”:

Também é verdade que a vida matrimonial custa, às vezes dói e o casal pode chegar num ponto em que dá vontade de gritar um para o outro, de gritar à própria carne: “não aguento mais você”. E por que isto acontece? Porque o amor inicial se esfria diante das dificuldades que a mesma convivência supõe. Basta um engano, em erro, uma precipitação e pode acontecer do casal começar a claudicar no amor e afirmar que nunca existiu amor de verdade e como conclusão: divórcio.

As dificuldades matrimoniais não enfraquecem uma verdadeira união de corações, mas revelam se entre os dois reina um amor de verdade e não um “amor-fantoche”. Que longe vão ficando no tempo e quão perto das exigências diárias aquelas promessas nupciais de “ser fiel na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, em todos os dias da minha vida”... E como disse o papa Francisco: “de repente começam a voar os pratos”. Começam as diferentes opiniões, afloram os temperamentos, chegam os dias nublados no horizonte matrimonial... Mas isso faz parte! Porém, uma coisa e fundamental: os pratos podem sair voando pela janela, mas nunca um casal deve terminar o dia sem olhar um para o outro e dizer: “desculpe. Vamos dar um jeito... Eu te amo!” Só assim um casal vai para frente com a ajuda de Deus!

3.Uma agressão à carne de Cristo:

No final das contas, o que é o divórcio? É um sacrilégio, é uma agressão a essa “uma só carne” que Deus uniu. Pensemos nesta analogia: ninguém corta a própria cabeça só porque tem dor. Ninguém arranca o próprio braço só porque sofreu um arranhão. Mas quando dói a cabeça, toma-se um remédio, dá tempo e melhora. Quando se arranha o braço, espera cicatrizar, deixa que passe um tempo e melhora. Agora, diante desta analogia, que sentido tem o divórcio, senão o de uma autêntica agressão a essa “uma só carne” que às vezes dói, custa e se machuca na convivência diária?

Por isso, a Igreja não aprova o divórcio e Deus se entristece, porque detrás de cada divórcio existe um deserto gigantesco de quem não sabe que amor autêntico é doação tanto nos dias floridos de primavera como nos dias de tempestade. Quebra-se a união entre os cônjuges (uma só carne), e automaticamente se quebra a união com Jesus Cristo(uma só carne na Carne de Cristo) e com a sua Igreja, e por isso não é lícito comungar, porque separação e comunhão são duas realidades contraditórias.
                
Com razão Pascal afirmou que Cristo está sofrendo a sua paixão ao longo da história da humanidade, pois quando um casal diz um para o outro: “estou cansado de você, já não te amo”, outra vez Cristo é levado ao patíbulo da cruz, sente a dor dos pregos nas mãos e nos pés, porque sofre a separação dessa “uma só carne”, que existe substancialmente na Sua Carne por meio do sacramento do matrimônio, que é uma das gotas que fluiu do seu lado aberto de amor por nós na cruz.

O casal que opta por se divorciar já não olha para Jesus Cristo, mas olha cada um o seu próprio interesse egoísta e, se o casal tem filhos, quanto sofrem os pobres filhos! Quem se divorcia agride essa “uma só carne” sacramental, “uma só carne na Carne de Cristo”, atenta contra a carne de Jesus Cristo, ofende a Pessoa de Cristo e já não sabe o que é amar e ser amado, porque despreza a fonte mesma do Amor, o Amor mesmo.

É verdade que os divorciados também sofrem com esta situação, mas eles também não devem esquecer que quem sofre primeiro é Jesus Cristo, porque Quem nos amou primeiro também aceitou correr o risco de sofrer primeiro, de carregar nos próprios ombros o peso da nossa ingratidão e dos nossos pecados, e no caso de um matrimônio, o triste peso de um divórcio.

Oração: Senhor Jesus, fortalecei no amor e na união todos os casais e ajudai os divorciados a encontrar o caminho de volta à graça para que não ofendam mais a vossa Carne e não quebrem para sempre o amor entre eles, amor que Vós unistes numa só carne sacramental. Amém.
  

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O terrorismo da murmuração

por Anderson A. Pitz, LC


O Papa Francisco usou hoje, no encontro com os representantes da Assembléia nacional da Conferência Italiana de Superiores Maiores, esta expressão tão plástica e ao mesmo tempo tão real: "o terrorismo da murmuração".



Disse ainda: "se você tem alguma coisa contra o teu irmão, vai e diga para ele... algumas vezes isso terminará em socos, não tem um problema, é melhor isso que o terrorismo da murmuração".

Simpático escutar da sua boca estas palavras. Palavras que num princípio talvez façam sorrir mas, logo, "cai a ficha" e entendemos o que significa realmente. Se temos alguma coisa, qualquer coisa, contra uma pessoa, a solução não é sair por aí espalhando aos quatro ventos os seus defeitos, aquilo que fez errado, aquilo que eu interpretei como mal nele. 

Que difícil é tomar a atitude, a coragem e o valor para encontrar-me com a pessoa e falar diretamente para ela. Se temos medo de dizer, pode ser porque tenhamos também medo de descubrir que estávamos equivocados.

Murmurar é terrorífico. Ataca-se à outra pessoa. A destrói. Murmurar é um verbo que vem de morder, morder a boa fama dos demais. Se vamos morder alguma coisa, mordamos a nossa língua mas não deixemos que saia da nossa boca nenhuma palavra em contra dos demais. Este é o DNA do verdadeiro cristão. Uma atitude brota do coração onde o amor mora de verdade.

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Dia de finados

por Anderson A. Pitz, LC



Hoje é um dia no qual recordamos de modo muito especial aos nossos fiéis difuntos.


Recordá-los, visitar eles mas sobre tudo, rezar pelos nossos caros amigos e familiares que estão já na visão da glória. Este é o sentido desta comemoração do dia de finados.

Mas não é um dia para pensar somente nos seres que chegaram à meta. Seria um ótimo momento para pensar na nossa própria vida. Agradecer a Deus o dom da vida, que é um verdadeiro presente. Mas, seria um verdadeiro erro colocar o nosso coração nas coisas que passam e que não levaremos deste mundo. Por isso, o recordo do nossos difuntos nos faz refletir sobre a nossa própria vida, como a estamos conduzindo, como a estamos vivendo.

Toda esta felicidade que agora buscamos, aprendamos a converti-la em duradeira para sempre.

Coloquemos, neste dia, os nossos olhos no Céu. Pensemos no Céu, onde nosso Pai amoroso nos espera de braços abertos para a felicidade eterna. Preparemos este grande momento nesta vida, aproveitando acumulando os verdadeiros bens, aqueles sobrenaturais.

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Santidade: o sonho de Deus para nós

por Celso da Silva, LC


Festejar todos os santos vai mais além do mero lembrar os santos que não foram canonizados pela Igreja e não tem um dia festivo no calendário.

O significado profundo da Solenidade de Todos os Santos está no maravilhoso fato de que Deus sonha com a santidade de todos os seus filhos. E o sonho de Deus se torna realidade quando nós, insertados no seu Filho, Jesus Cristo, aceitamos uma missão que, com a sua graça e a nossa colaboração, consiste em sermos reflexos vivos e contagiantes da Glória de Deus. Santos são todos os que realizam esse grandioso sonho de Deus.

Nós, Igreja militante nesta terra, voltamos hoje o nosso olhar à Igreja Triunfante, e ali a todos os santos, e desejamos percorrer o caminho que eles percorreram, de tal maneira que, com os pés na terra, hoje queremos sonhar com o sonho de Deus: ser santos porque Ele é Santo. E como bem disse o papa Bento XVI: a santidade nunca passa de moda.

1. Deus tem um grande sonho:

E não é outro que a nossa santificação. Os nossos sonhos são os de Deus? Sonhamos com sermos tantas coisas nesta vida e, quem sabe, não sonhamos em ser santos. Sonhamos com coisas materiais, dinheiro, carro, lazer, diversão, muitos passatempos e nunca com alcançar a santidade. Somos absorvidos por tantas coisas deste mundo e já não sonhamos com o sonho que Deus pensou para nós, criando-nos à sua imagem e semelhança.

Ter os mesmos sonhos de Deus quer dizer estar buscando na fé a sua Vontade na nossa vida e a sua Vontade é que cheguemos ao Céu. Contam que santo Inácio de Loiola, antes de se entregar ao Senhor era um militar. E numa batalha em Pamplona, Espanha, um canhão quase destroçou a sua perna. Enquanto convalescia, ele começou ler as vidas dos santos e, pouco a pouco se contagiou de tão belos testemunhos, ao ponto de começar a sonhar o sonho fantástico de Deus sobre ele e sobre o rumo da sua própria vida. Santo Inácio a partir daí, abandonou-se nas mãos de Deus e cumpriu o sonho Dele. É um grande santo.

A festa de hoje nos convida a buscar o Rosto de Deus (Salmo 23) desde já, aqui na terra, com os meio concretos que Ele vai nos oferecendo como ofereceu a santo Inácio de Loiola e a tantos outros santos.

2. Insertados em Jesus Cristo:

O sonho de Deus se concretiza na carne sofrida e gloriosa do seu Filho Jesus Cristo e, somente insertados Nele, homens e mulheres de todas as épocas e culturas são capazes de passar pela tribulação- de lutar nesta vida- lavando e branquejando as suas vestes (os seus corações) com o sangue do Cordeiro, Cristo (Ap 7, 14).

São pessoas que passaram por este mundo como sarmentos unidos à Videira, pessoas que com o seu exemplo silencioso de cada dia viveram em carne própria a radicalidade da cruz de Cristo: um madeiro vertical (vivencia eucarística, frequência penitencial-confissão-, oração, sacrifícios, carismas, dons) e um madeiro horizontal que se prolongou em atos concretos de caridade e misericórdia com os irmãos mais necessitados.

Todos os santos, conhecidos ou não, são homens de carne e osso como nós, repletos de misérias e fragilidades, que souberam “contemplar Aquele que transpassaram” para chegar “ a ser semelhantes a Ele, para vê-lo tal como Ele é” (1Jo 3,2).

3. Reflexos da Glória de Deus:

Deus existe e o seu amor e a sua bondade se refletem nos santos, pessoas talvez simples que nunca tiveram estudos de teologia, só que com quanto amor e ternura falam de Deus e vivem para Deus.

São pessoas santas porque são “pobres de espírito”- são humildes, não orgulhosas! São santas porque “choram”- hoje em dia quanta gente é incapaz de derramar uma lágrima, porque se esqueceram de que Cristo na sua vida terrena também chorou diante do sepulcro de Lázaro! São santas porque “têm fome e sede de justiça”- têm a valentia de denunciar e lutar contra o pecado neste mundo para salvar o pecador, que se arrependa e se converta! São santas porque são “misericordiosas”- foram reconhecidas por Deus na porta do céu porque aqui na terra souberam reconhecer Deus no rosto do próximo, como fez a beata Madre Teresa de Calcutá! São santas porque, embora “perseguidas”, não titubearam na fé em Cristo- pensemos na tremenda quantidade de cristãos perseguidos no mundo de hoje, especialmente naqueles países onde a liberdade religiosa é violada pelo estado; esses são os santos de hoje, reflexos vivos da santidade de Deus, pessoas que, como nos primeiros séculos do cristianismo, não mudam de identidade no momento em que a espada trisca as suas gargantas, mas glorificam a Deus exclamando: “Viva Jesus Cristo, sou cristão!”.

Nesta festa de hoje nos alegramos e exultamos com toda a Igreja da terra e do céu, porque cremos que a nossa recompensa é grande no Reino dos Céus.

Para meditar:

Finalmente, quero sonhar com o sonho de Deus para mim? Aceito e luto por ser santo porque Deus é o primeiro interessado nessa aventura da minha vida? Unido a Jesus Cristo, amo a Deus e amo as pessoas que convivem comigo como um modo concreto de trilhar o caminho da santidade para chegar à Jerusalém Celestial? Estou disposto a ser reflexo da Luz, da santidade de Deus, passando pela porta estreita das bem-aventuranças?

Só respondendo estas perguntas fundamentais com a nossa vida diária, ajudados pela graça, poderemos realizar o grande sonho de Deus para nós: “sede santos como o vosso Pai Celeste é Santo” (Mt 5, 48).

     

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História do Corpus Christi

Para conhecer um pouco mais a história do Corpus Christi viajamos até a cidade de Bolsena e Orvieta, lugares onde ocorreu um milagre eucarístico bem especial e onde o Papa Urbano fez a festa do Corpus.


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Pentecostes

Por Ricardo Pioner, LC


A palavra Pentecostes (πεντε + ημερα) é de origem grega e significa “dia qüinquagésimo”. Cinquenta dias depois da Páscoa os judeus celebravam a festa das cinco semanas (Cf. Ex 34,22), no inicio era uma festa agrícola, mas depois passou a ser um memorial da Aliança no Sinai.

Os cinquenta dias de páscoa e as festas da Ascensão e de Pentecostes não são festas separadas. Elas formam uma unidade e são partes de um único mistério. Pentecostes é uma festa pascoal, é a festa do Espírito Santo. A Igreja nasce na Ressurreição de Cristo, mas é confirmada com a vinda do Espírito Santo (Cf. At 2). É neste dia que os apóstolos compreendem de modo mais preciso porque foram chamados por Cristo e qual a missão que devem cumprir de agora em diante.

Pentecostes é como um aniversário da Igreja. Neste dia o Espírito Santo desce sobre a comunidade nascente e temerosa infundindo sobre ela os seus sete dons e dando-lhe forças para poder anunciar a Boa Nova do Evangelho.


No Evangelho vemos como o Espírito Santo preparou, ungiu e enviou a Cristo. No dia de Pentecostes fez o mesmo com os apóstolos e a primeira comunidade reunida no cenáculo ao redor de Maria. Não esqueçamos que nós somos uma continuação daquela primeira comunidade. Neste domingo 08 de junho, festa de Pentecostes, o Espírito Santo também quer descer sobre cada um de nós. Ele quer preparar-nos, ungir-nos e enviar-nos.  Mas para que isso aconteça temos que desejar a sua vinda: “Vem, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”. 

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Papa Francisco na Terra Santa: encontro, paz e diálogo

Por Celso Júlio da Silva LC


O papa Francisco surpreendeu o mundo com a sua maravilhosa peregrinação à Terra Santa. O momento forte da visita foi, sem dúvida, aquele abraço fraterno entre Francisco e Bartolomeu I depois de cinqüenta anos do ultimo abraço fraterno entre Paulo VI e Atenágoras em 1964.
Porém, a peregrinação do papa Francisco foi além do que estava previsto. Com gestos impregnados de sentido, com palavras claras, simples e diretas, com o sorriso natural que o caracteriza, Francisco soube se encontrar e dialogar com o mundo da política e das religiões, respeitando e pedindo respeito. Assim, ele, em primeira pessoa, impulsionou as exigências da Nova Evangelização na dimensão social contidas na sua Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”.
Os passos firmes do papa Francisco na Terra onde Jesus Cristo caminhou demonstram três características importantes do Santo Padre: è o Papa do encontro, o Papa da paz e o Papa do diálogo.

1. O Papa do encontro:

Francisco foi à Terra Santa como peregrino para se encontrar com a realidade daquela terra na que três religiões monoteístas procuram uma convivência harmônica e pacífica. Saindo ao encontro de cada homem, apertando a mão tanto dos ricos como dos mais pobres e sofridos, lembrou-nos de que somos peregrinos nesta terra e que- isso è importante- peregrinamos juntos. Desde antes não quis um papa móvel blindado e fechado, mas aberto, para estar no meio do povo, quis ser uma vez mais Pastor da Igreja de Jesus Cristo, só que “com cheiro de ovelha”.
Francisco está sendo o Papa do encontro que abraça os sofrimentos e as alegrias, os sonhos e as esperanças de toda a humanidade, abraça a vida real das pessoas, fazendo-se próximo e especialmente um verdadeiro amigo. È o Papa do encontro porque è um Papa Amigo. Jamais esqueceremos as imagens dos gestos mais belos de Francisco, são os melhores gestos porque saem espontâneos (comentou Francisco à prensa no vôo de volta a Roma). Quando rezou diante do muro que separa Israel e Palestina, orou ali com o sofrimento daquele povo escolhido por Deus. Também escutou e compartilhou a vida e a dor de todos os refugiados e incapacitados, sobretudo das crianças.
Não esqueceremos aquele abraço tão significativo diante do muro das lamentações, abraço entre cristãos, judeus e muçulmanos, um gesto que nos diz claramente que não existe nada que impeça o respeito e a estima entre três religiões que adoram ao mesmo Deus criador do céu e da terra. Uma vez mais, a cultura do encontro cultivada com humildade, alegria, solidariedade pelo papa Francisco em pessoa è um convite estimulante para quebrar a cultura do individualismo e do egoísmo que predomina na nossa época e na nossa sociedade, mostrando que a Nova Evangelização por parte da Igreja consiste na Igreja em saída, com coragem e com um novo e impulsionado dinamismo.

2. O Papa da paz:
As palavras do Evangelho estão profundamente enraizadas no coração de Francisco: “bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9). A paz é um trabalho artesanal, se constrói dia-a-dia. Hoje quantas indústrias de guerra e de armas surgem no nosso mundo, porém “não existem indústrias de paz” - aclarou o Pontífice-depende de cada um desde o mais profundo do coração, “vencer o mal com o bem”. A paz é uma arte que “não consiste no silêncio das armas, no conter para não chegar à guerra”. É difícil e triste ter que carregar uma arma para se defender e matar, mas é mais difícil ainda abrir o coração e suplicar com humildade a tão desejada paz que este mundo necessita. Por isso, o papa Francisco è um corajoso, promotor incansável da paz.
O grito ensurdecedor da dor e do sofrimento que ecoa pelo mundo desde aquelas terras chegou ao coração do Papa e aos dirigentes tanto de Israel como de Palestina dirigiu um convite de paz: “desde o mais profundo do meu coração... desejo dizer que, pelo bem de todos, já è hora de colocar fim a esta situação, que se torna cada vez mais inaceitável... Chegou o momento de todos terem a audácia da generosidade e da criatividade á serviço do bem, do valor da paz, que se apóia no reconhecimento, da parte de todos, do direito de dois Estados de existir e de desfrutar da paz e da segurança dentro de uns confins reconhecidos internacionalmente” (Discurso as autoridades Palestinas, 25 de maio de 2014). Também em Tel Aviv, Israel, suplicou: “desejo fazer um convite ao senhor presidente da Palestina Mahmoud Amas para rezar pela paz. Ofereço a minha casa no Vaticano para acolher este encontro de oração... Construir a paz è difícil, porém viver sem paz è um tormento” (Discurso na cerimônia de boas vindas em Tel Aviv, Israel, 25 de maio de 2014).
No referente a uma convivência pacifica e respeitosa entre judeus, cristãos e muçulmanos o Papa não hesitou em dizer que “se deve rejeitar firmemente tudo o que se opõe ao objetivo da paz e de uma convivência respeitosa entre judeus, cristãos e muçulmanos: o recurso à violência ou as manifestações de intolerância contra pessoas ou lugares de culto judeus, cristãos e muçulmanos”-e concluiu-“paz a Israel e a todo o Oriente Médio. Shalom!” (Discurso ao presidente Shimon Peres, 26 de maio de 2014). Nesse levar com o coração um ardente desejo de paz Francisco colocou em prática o que ele mesmo escreveu na “Evangelii gaudium”: “a tal finalidade è necessário confiar o coração ao companheiro de caminho sem suspeitas, sem desconfianças, e, sobretudo, olhar aquilo que todos buscamos: a paz no rosto do único Deus”.

3. O Papa do diálogo:

Num mundo cada vez mais individualista e fechado as próprias idéias e convicções pessoais, o papa Francisco mostrou que è possível realizar um diálogo amigável e respeitoso, apesar das diferenças de idéias, de crenças, de pontos de vista e de tradição religiosa. Não sentiu nenhum temor de se aproximar e dialogar como um amigo e como um irmão tanto de judeus como dos muçulmanos e soube valorizar e respeitar a riqueza de ambos. “A verdadeira abertura implica manter-se firmes nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e gozosa, mas abertos “para compreender as convicções do outro” e “sabendo que o diálogo pode enriquecer a todos”. Não adianta uma abertura diplomática, que diz sim a tudo para evitar os problemas, porque seria uma maneira de enganar o outro...” (Evang. Gaudium).
Nesse caso, de enorme relevo foi a visita do Papa à Explanada das Mesquitas e justas foram as suas palavras conclusivas dirigidas à comunidade muçulmana: “queridos amigos, desde este lugar santo lanço um veemente chamamento a todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão. Respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs. Aprendamos a compreender a dor do outro. Que ninguém instrumentalize o nome de Deus para a violência. Trabalhemos juntos pela justiça e pela paz. Salam!” (Discurso ao Grande Mufti de Jerusalém na Explanada das Mesquitas, 26 de maio de 2014).

O Espírito Santo, no fundo dessa tentativa de diálogo e de abertura, continua soprando onde Ele quer e o papa Francisco, guiado por esse Espírito, está sabendo descobrir essa maravilha, dialogando com diversas realidades, fazendo com o próprio testemunho uma Igreja em pleno Pentecostes, sempre em saída, em missão, reconhecendo que a paz e o respeito, especialmente na convivência inter-religiosa, è possível, se também de ambos os lados prosperam o respeito, a escuta e a firmeza na verdadeira e sólida convicção religiosa.

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